Alca, algodão e OMC

A Organização Mundial do Comércio (OMC), divulgou no dia 26 de abril, o resultado da solicitação do Brasil contra os subsídios norte-americanos ao setor de algodão.

Segundo o relatório, os EUA descumpriram compromissos estabelecidos na década de 90. Entre 1999 e 2002, os produtores de algodão dos EUA receberam em subsídios U$ 12,5 bilhões. Nesse mesmo período, o valor do algodão alcançou US$ 13,8 bilhões, ou seja, os produtores receberam do governo quase o mesmo valor do lucro que obtiveram. Não é à toa que 42% do mercado mundial estão nas mãos dos EUA, enquanto países africanos miseráveis como Burkina Faso, Benin, Mali e Chade, com economia concentrada na agricultura e na produção de algodão, são praticamente impedidos de vender seus produtos.

Depois do anúncio do relatório, uma estranha comemoração reuniu desde o governo Lula, até os principais jornais dos EUA como o The New York Times e o The Wall Street Journal. Essa comemoração expressa a opinião de um importante setor da burguesia dos EUA, ligado a especulação financeira, contrária à manutenção de subsídios agrícolas. Isto porque as divisas produzidas pelas exportações agrícolas dos países pobres são fundamentais para garantir parte dos superávits primários e do pagamento das dívidas externas. Mas Bush vai recorrer da decisão para evitar prejuízos eleitorais a sua candidatura, apoiada pelo setor agrícola.

Já o entusiasmo do governo Lula é explicado pelo fato de querer continuar negociando a Alca. O governo sempre defendeu os interesses de um punhado de latifundiários exportadores, exigindo maior acesso ao mercado agrícola norte-americano com a diminuição dos seus subsídios e a decisão da OMC favorece essa política entreguista.
Post author Jeferson Choma, da redação
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