Ainda sobre o salário mínimo

Depois de dar o calote no povo apresentando o novo salário mínimo de 260 reais, o governo Lula quer aprová-lo no Congresso Nacional. A oposição burguesa (PFL e PSDB) aproveitou para dar mais um show de demagogia, tentando apostar na falta de memória do povo visando os votos nas eleições municipais.

Já os deputados do Partido dos Trabalhadores, em sua maioria, devem acatar o enquadramento da Executiva Nacional do PT, que votou pela reafirmação do valor fixado pelo governo. Porém, um grupo de 21 parlamentares do PT, liderados pelo deputado Chico Alencar (RJ), está declarando que não vai aceitar o valor fixado pelo governo e está propondo um reajuste de no máximo 30 a 40 reais a mais do que propõe o governo. O próprio Alencar declarou que não vai ser necessária uma mudança radical da política econômica do governo para alterar o valor do salário mínimo.
Os deputados “radicais” – Heloísa Helena, Babá, Luciana Genro e João Fontes –, por sua vez, estão levando uma proposta nada radical para alterar o valor do mínimo. Segundo o Projeto de Lei apresentado por eles, haveria um reajuste anual de 26% sobre o salário mínimo, além da reposição inflacionária medida pelo IPC. Hoje, isso garantiria um salário em torno de 325 reais. Segundo os “radicais”, essa proposta viabilizaria a promessa de Lula de dobrar o salário mínimo até o fim de seu mandato. Ora! Esse é o mesmo jogo que a CUT faz com o governo. A Central propõe um salário mínimo de 300 reais e aceita que os trabalhadores continuem passando fome até 2007.

Todas essas propostas “alternativas” ao salário mínimo de fome do governo são totalmente insuficientes para recuperar as perdas salariais dos trabalhadores, porque não questionam a política econômica de arrocho e desemprego do governo e não tocam na necessidade de se romper com a lógica infernal da dívida.

Uma verdadeira proposta de ruptura significa propor um aumento emergencial de 100% no salário mínimo, utilizando parte do superávit da previdência, 30 bilhões de reais, e romper com o pagamento da dívida para garantir aumentos sucessivos até atingir o piso do Dieese (R$ 1.402.63) em cinco anos.
Post author José Maria de Almeida, Presidente Nacional do PSTU
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