Agricultura virou “agrobusiness”

A agricultura do país está ligada ao mercado mundial. Entre 1990 e 2003, segundo dados do Ministério da Agricultura, ao aumento de 24,3% da área plantada, correspondeu uma produção 125% superior. Isso quer dizer que a produtividade cresceu mais de 80% nos últimos 13 anos.

Dessa forma, o velho coronel latifundiário se tornou um moderno empresário. Como exemplo temos o “rei da soja”, governador do Mato Grosso, Blairo Maggi (PPS), cuja empresa faturou US$ 500 milhões em 2003.

Invasão dos transgênicos

Na medida em que se torna um negócio lucrativo, todos os parâmetros são relacionados ao lucro, sem preocupações com o ser humano ou com danos ambientais. A utilização de sementes transgênicas se tornou universal, mais de 50% da soja mundial já é geneticamente modificada. A ONU, por meio da FAO, liberou a utilização dos transgênicos. No Brasil, Lula foi o primeiro a liberá-los. Segundo dados da Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul, 82% da safra de soja deste ano foi transgênica, com um controle total da Monsanto (transnacional dona da tecnologia das sementes transgênicas) que tem funcionários em todos os pontos de coleta da soja e verifica in situ a origem das sementes. Dessa forma, toda a cadeia produtiva fica sob controle de uma transnacional.

Daí vem: maior concentração e exploração da terra, fim da pequena produção camponesa e expulsão do pequeno produtor, criando dependência alimentar e destruindo recursos naturais, gerando a associação estreita entre os latifundiários, os grandes bancos e as transnacionais.

O campo, nos países coloniais e semicoloniais, torna-se uma bomba de tempo, pois aí estão 96% dos agricultores do mundo. Inexoravelmente, esses pequenos produtores serão expulsos de suas terras pelo grande capital transnacional.

O agro-negócio representa 34% do PIB e 43% do total das exportações brasileiras. O Estado participa diretamente do favorecimento desse setor empresarial, por meio da Lei Kandir que isentou de ICMS as exportações agrícolas.

O governo Lula favorece as empresas exportadoras porque elas trazem para o “país” dólares que vão servir para pagar a dívida externa. Assim favorecem um punhado de magnatas, principalmente estrangeiros, já que somente 250 empresas são responsáveis por 70% das exportações.

Para esses grandes empresários, o governo vai liberar R$ 39 bilhões em 2004 e já deu R$ 27 bilhões em 2003. São eles que recebem, também, 90% do crédito.

Enquanto isso, Lula assentou somente 21 mil famílias sem-terra em um ano e meio de governo, quando havia prometido assentar 230 mil famílias.

As exportações agrícolas sustentam o saldo da balança comercial, sendo hoje o pilar da política econômica de Lula. Se não fosse o agro-negócio, o PIB do país teria caído 2% em 2003.
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