Ação da polícia reabre polêmica sobre o Caso Kroll

Na semana passada, a Polícia Federal empreendeu diversas buscas e apreensões de documentos, arquivos e computadores nas sedes da Kroll e na casa do banqueiro Daniel Dantas. Cinco pessoas ligadas à empresa de espionagem foram presas. A presidente da Brasil Telecon, Carla Cicco, também teve sua casa vasculhada pela polícia.

Foi necessário um caminhão de mudança para transportar todos os documentos da Kroll para a sede da Superintendência Regional da Polícia Federal, a fim de se fazer a perícia. A chamada “Operação Chacal” investiga casos de espionagem ilegal realizada pela Kroll contra dirigentes da Telecom Itália e o próprio governo federal, a mando de Dantas.

Disputa empresarial

O caso Kroll trouxe à tona o sujo mundo das disputas e concorrências empresariais. A Kroll Associates, empresa especializada em espionagem empresarial, foi fundada por um ex-agente do FBI. Num mundo onde as leis não se aplicam às multinacionais, a Kroll teve rápido êxito e expansão por todo o planeta. No Brasil, a empresa teve seus serviços contratados pelo banqueiro Daniel Dantas, presidente do Oportunnity. Dantas disputa o controle da Brasil Telecom com a Telecom Itália. Essa disputa se arrasta há anos, desde a privatização da Telebrás em 1998.

Privatização e os fundos de pensão

O que mais causou polêmica foi a revelação da espionagem feita pela Kroll a altos membros do governo, como o ministro da Casa Civil, José Dirceu e o da Comunicação, Luiz Gushiken. Esse monitoramento do governo não é por menos. A privatização da Telebrás colocou nas mãos dos Fundos de Pensão estatais considerável parte do controle das telecomunicações no país. Fundos esses, controlados pelo PT. O próprio Gushiken é dono de uma empresa que presta serviço aos Fundos de Pensão.

A ação da polícia é uma ação do governo Lula como parte de uma luta entre setores da burguesia, em defesa dos interesses de um deles, ligado aos Fundos de Pensão.

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