A suspensão do empréstimo do BNDES

Durante a greve da Volks, a única candidatura à Presidência da República que defendeu a greve dos trabalhadores foi a de Heloísa Helena, da Frente de Esquerda. Algo que tem muita relevância diante da postura do governo Lula, que deu as costas para o movimento.

Entretanto, perguntada pelo jornal Folha de S. Paulo, no dia 31, se foi correta ou não a suspensão do empréstimo do BNDES, Heloísa declarou: “O BNDES tem a obrigação de possibilitar investimentos e empréstimos a determinados setores privados, estabelecendo cláusulas contra a precarização e a demissão. Acho que é uma decisão errada”.

Não concordamos com a opinião de Heloísa Helena. É importante lembrar que a luta pela suspensão do empréstimo foi uma política levada pela oposição, junto com o boletim “Ferramenta”. Denunciávamos o empréstimo que o governo estava fazendo à Volks e exigíamos sua suspensão porque o governo estava emprestando dinheiro público para uma empresa que estava demitindo trabalhadores. Ou seja, emprestava as balas para Volks atirar nos operários.

Essa proposta ganhou a consciência dos metalúrgicos que cobraram da direção do sindicato a luta pelo cancelamento do empréstimo.

Pressionado, o governo foi obrigado a suspender o empréstimo de R$ 497,1 milhões. O que foi encarado como uma grande vitória pelos metalúrgicos da fábrica.

Além disso, a Volks vem fazendo sua reestruturação com o dinheiro emprestado pelo BNDES. Nos últimos dez anos, entre os governos de FHC e de Lula, a empresa recebeu R$ 3,7 bilhões de dinheiro público. Mesmo assim, reduziu o número de funcionários no ABC, de 26 para 12 mil. Acreditamos que Heloísa Helena deveria rever sua opinião.

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