A satisfação da burguesia com os rumos da economia

A blindagem política não é exclusividade de Lula. O ministro da Economia, Antônio Palocci, também está sendo protegido pelas elites para que a política econômica permaneça intacta. Razões não faltam. Em 2004, o lucro dos bancos alcançou 18,4%.

Só o Itaú apresentou, em 2005, o maior lucro anual de um banco na História (R$ 3,776 bilhões). Algo que nunca foi visto desde que D. João VI criou o Banco do Brasil, no século 19. As 500 maiores empresas do país tiveram, em 2004, o maior lucro em dez anos. A burguesia exportadora também vive sorrindo com o governo do PT. Entre os dias 4 e 10 de julho, a balança comercial (diferença entre exportação e importação) registrou um superávit de US$ 1,3 bilhão, o melhor resultado semanal de toda a história.

Delfim prepara plano econômico do governo
O ministro da Fazenda da ditadura militar, o deputado federal Delfim Neto (PP), apresentou um plano econômico ultraneoliberal para Palocci, que ganhou apoio de parte do governo. O plano prevê um déficit nominal (conta que inclui as despesas com os juros) zero em oito anos. Lula mantém um superávit primário (que é a conta das entradas e despesas do governo sem contar os pagamentos dos juros das dívidas) de cerca de 5% do PIB ao ano (superior à meta acertada com o FMI, de 4,25%). Mas, como paga em torno de 7% do PIB por ano aos grandes bancos, acaba tendo um déficit nominal de cerca de 2%.

Para acabar com isso, Delfim propõe a redução dos impostos das grandes empresas e a redução dos gastos sociais do governo, com mais elevações do superávit primário.
Na avaliação do economista Márcio Pochmann, o arrocho nos investimentos atingiria em cheio as áreas sociais. “Esse corte seria feito em maior escala na Previdência Social (R$ 19,7 bilhões), seguida de corte de benefícios dos funcionários públicos (R$ 8,5 bilhões) e também diz respeito à Saúde (R$ 5,7 bilhões), que seria a terceira categoria da área social a ser mais atingida pelos cortes dos recursos”, disse o economista, que ainda avalia que 1,2 milhão de pessoas deixariam de ter acesso ao seguro-desemprego, com o corte estimado de R$ 1,8 bilhão. Em Educação, o corte de R$ 2,7 milhões representaria 20% a menos no orçamento.

Assim, prepararia-se o terreno para que um próximo governo, seja do PT ou da oposição de direita, mantenha a política econômica.

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