A reforma agrária parou

Governo não cumpriu 30% da meta de assentamentosNo ano em que o MST completou 25 anos, dificilmente algum integrante do movimento teve motivos para comemorar diante dos resultados do II Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA) do governo Lula. Os dados mostram que o governo deu adeus a reforma agrária. A meta do plano do governo era implantar em cinco anos 550 mil novos assentamentos, além de regularizar 500 mil posses. Mas no final de 2008, finalmente apareceram os primeiros resultados de 2007.

Mas o governo insiste em tentar confundir a opinião pública divulgando que assentou, nos cinco anos, um total de 448.954 famílias. No entanto, as organizações de luta pela terra e o MST explicam a maquiagem. Descontando as famílias de assentamentos antigos reconhecidos pelo Incra, os dados apontam que o governo assentou apenas 163 mil. Isto é, cumpriu menos de 30% da meta prometida. Como se não bastasse, Lula ainda ataca o MST neste momento em que a mídia tenta criminaliza-lo.

Esses dados mostram que o governo está longe de realizar a reforma agrária e que seu verdadeiro compromisso é com o latifúndio. Uma realidade mais do que suficiente para levar MST a romper com o governo Lula. Mas, infelizmente, não é essa a postura da direção do movimento.

A aproximação do MST com o governo causou enormes prejuízos à luta pela terra. As ações diretas e ocupações de terras na época do governo FHC se comprovaram o mais eficiente método de pressão para fazer avançar a reforma agrária. Entretanto, sob o governo Lula, o total de ocupações de terra caiu de 65.552, em 2003, para 49.158, em 2007. O número de novas famílias acampadas também caiu de 59.082 para 6.299 no mesmo período, uma queda de 89%.

A direção do MST pode até argumentar que houve avanço na interlocução com o governo. Mas afinal quais são os resultados concretos desta suposta interlocução com um governo que já se declarou amigo do agronegócio? Além disso, a via de apoio ao governo levou o MST a perder uma série de quadros e dirigentes, que hoje ocupam cargos na burocracia estatal e a sofrer rupturas em todo país. Hoje o MST já não tem o mesmo peso político que fizeram do movimento uma referência na luta contra o neoliberalismo.

A crise econômica chegou ao Brasil e com ela suas conseqüências sociais, o desemprego e a miséria. O campo não esta imune à desolação e à pobreza trazidas pela crise. E nenhum Bolsa Família – ou qualquer outro programa assistencialista – poderá atuar como um colchão para amortecer a crise social.

O governo Lula já deu mostras suficientes de que vai jogar os prejuízos dos ricos nas costas dos trabalhadores e não vai fazer a reforma agrária. Resta saber o que a direção do MST vai fazer.

No dia 1° de abril, a Conlutas, junto com a Intersindical, da Pastoral Operária e outros setores, está preparando um grande dia nacional de mobilizações e paralisações. Seria uma grande oportunidade para o MST se juntar a essa luta e dizer que os trabalhadores não vão pagar pela crise.

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