A polêmica nos movimentos contra a opressão

Existe uma polêmica nos movimentos negro e feminista: as ilusões ao redor de Barack Obama e Hillary Clinton. A maior parte dos ativistas acredita que votar em Hillary ou em Obama significa combater o machismo e o racismo. Nós afirmamos categoricamente: o racismo e o machismo não acabarão com Obama ou Hillary.

A sociedade é dividida em classes sociais, e as opressões racial e sexual estão estreitamente ligadas à exploração capitalista. A opressão das mulheres serve ao capitalismo para impor salários baixos para as trabalhadoras, assim como impor o trabalho doméstico para as mulheres como forma de sustentação de uma família explorada. A superexploração capitalista usa o racismo para garantir salários baixos para os trabalhadores negros.

O fato de ser mulher não faz Hillary igual às mulheres trabalhadoras. Hillary não precisa lavar roupa ou cozinhar: ela paga a empregadas para isso, explorando outras mulheres. Hillary defende a doutrina neoliberal, das reformas que extinguem os direitos das mulheres trabalhadoras.

Obama é negro, sofre preconceito. Mas não sente a dureza da vida nas favelas, a violência policial na periferia de Nova Iorque. Ele, assim como Hillary, contribui para a exploração de outros negros. Eles não sentiram na pele os efeitos do desastre do furacão Katrina.

O maior exemplo disso é Condoleezza Rice: mulher e negra coordenando a política assassina de Bush no Iraque e no Afeganistão, responsável pela morte e pela violação de milhares de mulheres.

Sem acabar com o capitalismo é impossível terminar com a opressão sobre as mulheres ou com o racismo. Só sem exploração haverá creches e restaurantes comunitários que acabarão com a ditadura do trabalho doméstico. Só assim acabará a base material da exploração que permite utilizar o trabalho dos outros para benefício próprio, e da opressão racial e sexual para aumentar os lucros.

Por isso, a estratégia dos revolucionários na luta contra a opressão deve ser a luta das mulheres trabalhadoras contra a opressão e a exploração. Da mesma forma, não defendemos a unidade dos negros trabalhadores com a burguesia negra para acabar com o racismo.

É possível uma unidade pontual com uma mulher burguesa num ato pela legalização do aborto, mas não existe possibilidade de uma luta estratégica conjunta. Mesmo na conjuntura haverá diferenças: se uma mulher rica precisar fazer um aborto, poderá dispor de clínicas confortáveis. Já a mulher pobre e trabalhadora, estará se arriscando à mutilação ou a morte.

Isso não significa diminuir as lutas desde já contra a opressão: é fundamental que os movimentos dos trabalhadores façam isso. Essa é a única forma de incorporar os setores mais explorados e oprimidos dos trabalhadores e trabalhadoras.

Nós, do PSTU defendemos que o racismo e opressão sejam combatidos pela negação do próprio sistema capitalista, pela total independência em relação aos poderosos, pelo rechaço de qualquer acordo que comprometa a libertação de todo o povo negro e das mulheres.
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