A plenária, passo a passo

A tese da Articulação que defendia a reforma foi aprovada por ampla maioria de votos. A esquerda da CUT apresentou-se dividida, minoritária e isolada. Na hora da votação, seu peso real ficou claro. Todos os delegados da esquerda cutista obtiveram juntos entre 10 a 15% do plenário.

Depois veio a fase de votação das emendas. Foi aí que Articulação, PCdoB e DS passaram a implementar a “reforma da reforma”, reintroduzindo a unicidade sindical, que fora previamente negociada com a CGT e a Força Sindical. Essa emenda, chamada de “Plataforma Democrática Básica”, foi aprovada também por maioria esmagadora. A esquerda cutista foi novamente derrotada na votação.

Papel ridículo cumpriu mesmo o Partido da Causa Operária (PCO), que apresentou uma emenda, mas nem sequer a defendeu no plenário, nem mesmo da votação participou. Recentemente o PCO deu um giro à direita e passou a defender a CUT, atacando o PSTU por “abandonar a disputa por dentro”. O PCO foi à plenária junto com os pelegos da CUT, mas nem mesmo aí deu a tal “batalha por dentro”.

Pela Articulação, o próprio Marinho defendeu a “emenda”, junto com o PCdoB. Ele criticou a esquerda da CUT, que o vaiava sempre que pegava o microfone. “Com esse comportamento, vocês deveriam ser coerentes como o PSTU e sair da CUT”, disse.

Jorginho, da esquerda da CUT, falou que era injusta a declaração de Marinho, pois eles faziam um enorme esforço para garantir a “unidade da central”. Marinho, por sua vez, não teve dúvida: abraçou Jorginho e corrigiu sua fala: “Quero vocês dentro da CUT, não quero ninguém fora”. Assim, reconhecia o papel da esquerda cutista na legitimação de sua vitória.

E agora?
A Articulação, o PCdoB e a Força Sindical vão tentar apresentar uma nova cara para a mesma reforma Sindical. A postura inicial do PCdoB contra o projeto não era mais que uma negociação por interesses.

O que está em jogo é um projeto que acaba com o direito de greve, dá superpoderes às centrais sindicais, possibilita que o Estado interfira na forma de organização dos trabalhadores e ameaça direitos históricos. Para os trabalhadores, não há o que reformar nesse projeto.

A esquerda da CUT deve tirar suas conclusões. Como nós dizíamos, não existem condições para disputar a CUT por dentro, como esses grupos defendiam. É hora de organizar de forma unitária a luta contra a reforma por fora da central. É hora de romper com a CUT e construir a Conlutas.

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