A marcha ponto a ponto

As caravanas que partiram de todos os pontos do país começaram a chegar em Brasília ainda durante a madrugada. Por volta das 11h, os manifestantes deixaram a Catedral (concentração da marcha) começando a caminhadaAs caravanas que partiram de todos os pontos do país começaram a chegar em Brasília ainda durante a madrugada. Por volta das 11h, os manifestantes deixaram a Catedral (concentração da marcha) começando a caminhada.

A marcha saiu ao som da palavra-de-ordem “Um, dois, três, quatro, cinco mil, ou pára esta Reforma, ou paramos o Brasil!”.

A primeira parada foi em frente ao Ministério da Reforma Agrária. Ali, os participantes protestaram contra o completo descaso do governo Lula em relação ao problema da terra no Brasil, e pelo aumento da violência contra aqueles que lutam pelo direito à terra. O último episódio, o massacre de Felisburgo (MG), onde foram mortos cinco sem-terra e vinte outros ficaram feridos, é apenas o exemplo mais recente e dramático.

Vários oradores chamaram o MST à unidade na luta pela reforma agrária e criticaram sua direção por não se unificar com a marcha. Bandeiras dos trabalhadores rurais do MTL se juntavam com as do Conlutas e as do PSTU.

Uma vaia para Berzoini…

Na segunda parada, no Ministério do Trabalho, houve uma forte denúncia das reformas Sindical e Trabalhista por todos os oradores. Indignados com a possibilidade de ver seus direitos históricos durante conquistados — como a licença-maternidade, o 13º salário e as férias — serem ameaçados de confisco pela reforma Trabalhista que Lula quer implementar, a mando do FMI, os milhares de participantes não pouparam a voz para denunciar o ex-sindicalista que ocupa o Ministério do Trabalho. Entre cada fala dos organizadores da marcha, Berzoini recebia uma atenção especial entoada em uníssono pelos milhares de participantes: “Berzoini, seu pelegão, esta reforma é coisa de patrão!”.

…outra para Lula e os picaretas do Congresso

No Congresso Nacional, onde ocorreu o principal ato, os manifestantes deixaram claro que não estão dispostos a permitir que a corja que se encontra no Parlamento confisque seus direitos, privatize a Educação e continue implementando os planos do FMI (inclusive através da Alca). Mas além do acordo na denúncia do governo, ali se revelaram as diferenças presentes entre os distintos setores do ato.

Mancha, em nome da Conlutas, atacou o governo e a direção da CUT, convidando todos ao Encontro Nacional da Coordenação que será realizado no Fórum Social Mundial.

Heloísa Helena fez uma denúncia do governo. Zé Maria, pelo PSTU, propôs que a unidade conseguida na marcha tivesse continuidade, e chamou todos os setores a romper com a CUT para construir uma alternativa de direção para os trabalhadores.

A grande imprensa centrou sua cobertura da marcha em um episódio menor. Sob um sol escaldante, já com quase duas horas de manifestação, um setor dos estudantes desceu até o lago em frente à Câmara dos Deputados, juntando o banho com o repúdio aos parlamentares. Surgiu então um enfrentamento com a polícia, no qual foram presos dois manifestantes.

“Romper com a UNE! É pra ação! Está surgindo uma nova direção!”

No Ministério da Educação, houve muitos ataques à reforma Universitária, feitos pelas entidades estudantis. Além disso, Tiago Hastenreiter, do DCE da UFRJ e da Conlute, apresentou o resultado vitorioso do plebiscito contra a reforma, enquanto uma comissão se dirigia ao MEC para protocolar a entrega de seus resultados.

William Nascimento, do Sinasefe, falou: “Nos desfiliamos da CUT, e vamos construir a luta com todos aqueles que queiram construir e impulsionar um levante contra esse projeto neoliberal que prossegue no governo Lula”.

Julia Eberhardt, da juventude do PSTU, chamou todas as correntes à ruptura com a UNE governista e à construção de uma nova entidade de luta. Em diversos momentos, os estudantes gritavam “Reforma vem, a UNE some, e não fala em nosso nome!”. Após as falas, grupos culturais se revezaram, com animadas e criativas críticas ao governo. Entre eles, destacaram-se o xote dos estudantes da Universidade Federal da Paraíba e uma orquestra e uma representação teatral, pelos alunos da Universidade de Brasília.

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