A luta por uma moral proletária e revolucionária para ajudar a reconstruir a IV Internacional

A necessidade urgente de lutar contra a moral burguesa e recuperar a moral proletária e revolucionária como parte fundamental da batalha pela reconstrução da Quarta foi intensamente debatida no Congresso Mundial da LIT.

No informe de abertura da discussão, o companheiro Cabezas, do PRT da Espanha, lembrou que “para nós, esta discussão está muito longe de responder a algum tipo de problema interno; ela responde a uma necessidade objetiva, inadiável, que tem a ver com as tarefas de construção de uma Internacional revolucionária”. Ele insistiu que a questão moral é fundamental, e sem ela é impossível construir a Internacional em comum. E lembrou que Trotsky e Moreno sempre deram um enorme valor a esse tema, tanto teórico como prático.

Trotsky escreveu, em 1938, um pequeno folheto chamado “A Moral Deles e a Nossa”, em que diz não haver uma moral para todo o mundo em todas as épocas, porque ela é resultado do desenvolvimento social e tem um caráter de classe. A classe dominante impõe à sociedade os seus fins e classifica como imorais os meios que vão contra esses fins.

Trotsky não tinha nenhuma concepção mística da moral. Para ele, os problemas da moral revolucionária se confundem com os problemas de estratégia e tática revolucionárias. Por isso, para ele seria impossível construir um partido revolucionário sem uma moral totalmente independente da moral burguesa.

A independência de classe não pode ser separada da construção de uma moral independente da burguesia, de uma moral proletária. A época em que vivemos é a da decadência, de uma moral apodrecida, segundo a qual vale tudo. A moral decadente da burguesia, dos aparatos e dos burocratas sindicais que, para destruir a independência de classe, tiveram que, ao mesmo tempo, destruir a moral proletária.
Quando os trabalhadores jovens no mundo de hoje entram pela primeira vez em um local de trabalho e se encontram diante de uma greve, ouvem da burocracia sindical que devem ser “democráticos”, que todo mundo deve ter os seus direitos: quem quer trabalhar, trabalha, quem não quer, não trabalha. E as leis explicam que a greve, para ser democrática, tem de garantir um mínimo de pessoal trabalhando.

Esses jovens que começam a trabalhar encontram essa ideologia, que é a moral burguesa dominante e que destrói a solidariedade entre os trabalhadores e a independência de classe.

Logo, se o projeto da LIT é a reconstrução da Quarta Internacional, é necessário recuperar a moral proletária, a moral de classe, num combate cotidiano contra a moral burguesa, a moral decadente, que penetra por todos os poros entre a classe trabalhadora. É preciso recuperar a solidariedade de classe, que deve se mostrar na vida cotidiana dos trabalhadores e que é tão importante como forma de defender-se dos ataques da patronal. É preciso recuperar a moral proletária como parte da construção de uma organização independente da classe trabalhadora, um instrumento de luta contra o capitalismo e por uma sociedade socialista.

Trata-se de uma batalha estratégica e tática pela reconstrução dessa moral proletária que a burguesia, o stalinismo e os aparatos sindicais destruíram ao longo dos anos. Não há unidade possível da classe operária, não há independência possível da classe sem essa reconstrução, sem a luta contra a moral dos aparatos, que é uma moral degenerada, a moral dos privilégios dos dirigentes sindicais, que vendem seu mandato à patronal, mostrando com isso que cada um tem seu preço. Esse tipo de moral é muito ruim para os trabalhadores.

É urgente, portanto, recuperar a moral proletária para que a classe possa reencontrar o caminho de sua organização independente. Mas só isso não basta. É preciso recuperar também a moral partidária e revolucionária. A decadência da sociedade capitalista pressiona as organizações de esquerda, que acabam praticando uma moral burguesa, degradada, que se manifesta em todo tipo de atos de corrupção, fraudes e manobras desleais que nada têm a ver com uma moral revolucionária. Esse processo é tão grave que hoje assistimos a organizações de esquerda que se dizem marxistas, até mesmo algumas que tiveram sua origem no trotskismo, aceitando dinheiro da burguesia para eleger seus candidatos e chegar ao parlamento.

Recuperar a moral partidária e revolucionária significa enfrentar esses métodos, identificá-los e combatê-los cotidianamente. Significa enfrentar e combater o machismo e todo tipo de discriminação e opressão contra as mulheres, os negros e os homossexuais dentro do partido revolucionário.

O partido é um instrumento para derrubar a burguesia e para isso precisa ter uma moral superior, uma disciplina de ferro, baseada na máxima confiança e solidariedade entre todos. Sem essa moral, é impossível construir uma Quarta Internacional que consiga ir até o fim na luta contra a burguesia. Por isso essa discussão foi tão importante no IX Congresso da LIT e envolveu todas as organizações presentes. Os acordos em relação a essa questão foram fundamentais para avançar no processo de reconstrução da Quarta Internacional.

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