A homenagem da LIT ao seu fundador

Em 25 de janeiro de 1987 em Buenos Aires, morria Nahuel Moreno, dirigente revolucionário argentino que militou nas fileiras do trotskismo por quase cinqüenta anos.

Vinte anos após sua morte, a Liga Internacional dos Trabalhadores (Quarta Internacional) se prepara para realizar uma série de homenagens internacionais àquele que, em 1982, foi fundador de nossa organização e seu principal dirigente até o dia de sua morte.

A primeira destas homenagens será um ato público convocado pelo PSTU e pela LIT em São Paulo, no Memorial da América Latina, no dia 3 de março. A ela se seguirão outros atos, palestras, seminários e publicações – entre as quais se destaca uma edição especial de Marxismo Vivo – sobre sua obra política e teórica, constituindo o que é para a nossa organização internacional e suas seções nacionais um Ano Nahuel Moreno.

O legado de Moreno
Em 1987, durante o velório e o enterro de Moreno, a LIT e o MAS argentino receberam mensagens de organizações operárias como quatro centrais sindicais (a CUT do Brasil, o PIT-CNT do Uruguai, a COB da Bolívia, a CUT da Colômbia e Comissões Operárias da Espanha) e partidos políticos de esquerda, desde o PC argentino até a Frente Sandinista da Nicarágua. Entre elas, se destacavam homenagens dos dirigentes trotskistas que militaram com Moreno e, freqüentemente, com os quais polemizou.

Hugo Blanco, o grande dirigente das massas camponesas do Peru, em sua mensagem de pêsames dizia de Moreno: “Reconheço nele o meu maior mestre de marxismo e sempre o reconheci assim, apesar de que as circunstâncias da luta revolucionária há anos separaram nossos caminhos. A América Latina perdeu um incansável e inteligente combatente da revolução”.

Em carta que enviou ao ato realizado em Buenos Aires, o dirigente trotskysta belga Ernest Mandel, com que Moreno teve duras polêmicas teóricas e políticas, disse: “O falecimento do camarada Hugo (verdadeiro nome de Moreno) nos comoveu profundamente a todos. Com ele desaparece um dos últimos representantes do punhado de quadros dirigentes que depois da Segunda Guerra Mundial, mantiveram a continuidade da luta de Leon Trotsky em condições difíceis, no momento em que nosso movimento ainda estava muito isolado”.

Concordamos com Mandel, mas acrescentamos: de todos esses quadros, podemos dizer que Moreno foi o que melhor passou a prova desta longa jornada. Em primeiro lugar, porque procurou, desde os primeiros anos de sua atividade política, construir uma organização na classe operária, abandonando o trotskismo intelectual dos cafés. Esta lição ele procurou transmitir a todos os partidos que se aproximaram da corrente dirigida por ele, do Brasil à Espanha.

A nosso modo de ver, Moreno também foi o que melhor passou esta prova porque defendeu os princípios do trotskismo e do marxismo revolucionário do nosso tempo, contra adaptações e desvios oportunistas e sectários. Ao afirmar isto não temos nenhum objetivo de glorificar um dirigente político que tratava de dizer, em forma autocrítica, que em sua vida tivera “muitíssimos erros e uns poucos acertos”. Queremos sim resgatar a luta que travou contra as capitulações das organizações trotskistas que levaram muitas delas ao abandono do trotskysmo e a capitulação diante do castrismo, do sandinismo e hoje do chavismo.

A LIT: seu ‘monumento vivo’
Moreno se destacou em múltiplos aspectos de sua atividade como dirigente político. Criou inúmeras organizações políticas nacionais e internacionais, foi perseguido pela ditadura argentina que o obrigou a exilar-se na Colômbia, foi preso por sua atividade revolucionária em três países (Bolívia, Peru e Brasil). Destacou-se por sua vasta obra política e teórica, abordando acontecimentos fundamentais da luta de classes e temas centrais do marxismo da nossa época.

No entanto, acreditamos que há um aspecto de sua contribuição que está acima dos demais. Não foi casual que em seu último livro “Conversando com Moreno” (que muitos consideram como o seu testamento político), ele mesmo tenha destacado, entre tantas, a sua atividade em favor da construção da Internacional: “A maior parte da minha militância política esteve e continua estando voltada para o partido mundial, para a construção da Quarta Internacional”.

Para nós quem resumiu melhor o principal resultado da atividade de Moreno foi Peter Fryer, jornalista e militante trotskista inglês que morreu recentemente, quando expressou em sua mensagem de condolências à LIT e ao partido argentino, por ocasião do falecimento de Moreno, que a LIT-CI era um “monumento vivo” à sua obra.

A LIT hoje cresce e luta para construir partidos bolcheviques em vários países do mundo e para reconstruir a IV Internacional, um instrumento para dirigir a revolução socialista mundial. Neste 20° aniversário de sua morte, a melhor homenagem que podemos fazer a Moreno é redobrar os esforços para construir essa organização internacional.

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