A história das Internacionais

O Manifesto Comunista, escrito por Marx e Engels em 1847, termina com a frase: “Proletários de todos os países, uni-vos!”. O chamado se apoiava na análise do caráter mundial da economia capitalista. Foi o internacionalismo proletário que guiou a formação das Internacionais. Confira um resumo da história de cada uma delas

I Internacional
Entre 1862 e 1863, operários britânicos e franceses começaram a debater a fundação de uma organização internacional. Esse processo terminou com a criação de um Comitê Internacional dos Trabalhadores no dia 28 de setembro de 1864. Karl Marx foi encarregado de escrever os estatutos e de fazer o discurso de fundação da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT).

A primeira Internacional Socialista era uma confederação de tendências ideológicas diversas. Além dos sindicalistas havia anarquistas prudhonianos, republicanos, democratas radicais, etc. A Internacional teve vida curta, deixando de existir após a derrota da Comuna de Paris, em 1871.

A Comuna foi considerada por Marx como a primeira experiência de revolução e de governo operários. O exemplo da Comuna aprofundou as polêmicas internas, especialmente as que ocorriam entre Marx e o anarquista Bakunin sobre concepção de Estado, poder e funcionamento da própria AIT. As fortes lutas internas e a própria inexperiência dos operários da época levaram à desintegração da Internacional. Entretanto, a experiência da AIT foi uma prova viva de que a unidade internacional dos trabalhadores era possível e necessária.

II Internacional
Também conhecida como Internacional Socialista, a II Internacional foi criada em 1889, num momento bastante superior da organização operária da Europa. A industrialização já tinha avançado enormemente, empregando uma grande massa de trabalhadores. Houve um grande fortalecimento dos sindicatos, crescimento dos partidos social-democratas e conquistas como a ampliação do direito ao voto e a jornada de oito horas.

As conquistas abriram também espaço para o desenvolvimento de uma corrente oportunista, dirigida por Eduard Bernstein. Ele defendia que a democracia burguesa permitiria que os operários conseguissem todas as reformas necessárias sem necessidade de uma revolução.

No início do século 20, a Internacional já estava dividida em três grupos: à direita, o grupo revisionista de Bernstein; no centro, os marxistas moderados de Kautsky; à esquerda, os marxistas revolucionários liderados por Lênin e por Rosa Luxemburgo.

Em 1914, teve início a Primeira Guerra Mundial. Os principais partidos filiados à II Internacional e sua direção apoiaram seus respectivos governos e, em nome do nacionalismo, foram à guerra, provocando o colapso da Internacional. Nas palavras de Rosa Luxemburgo, a social-democracia adotara um novo lema: “Proletários de todos os países, uni-vos em tempos de paz e degolai-vos em tempos de guerra”.

Após a traição da social-democracia, os revolucionários internacionalistas como Rosa, Karl Liebknecht, Lênin e Trotsky ficaram reduzidos a um pequeno grupo. Mas a vitória da revolução socialista na Rússia, em 1917, deu um novo impulso ao internacionalismo proletário e à formação de uma nova Internacional.

III Internacional
A Internacional Comunista (IC) foi fundada em março de 1919. Ela reunia os partidos comunistas criados a partir de cisões da social-democracia em diferentes países. Diferente da II Internacional, a Internacional Comunista se constituiu como um verdadeiro partido mundial da revolução socialista, com um programa revolucionário e guiada pelo centralismo democrático.

Enquanto Lênin viveu, foram realizados quatro congressos da III Internacional. Neles foram discutidas as condições para a adesão à Internacional; o apoio do proletariado aos movimentos de libertação dos países coloniais; as táticas de frente única; o trabalho dos comunistas nos sindicatos e a participação dos comunistas nas eleições burguesas.

Mas, após a morte de Lênin, os congressos anuais da IC foram abandonados. A ascensão do stalinismo na União Soviética levou à degeneração da Internacional. A III Internacional tornou-se um aparato contra-revolucionário a serviço da burocracia stalinista e da coexistência pacífica com a burguesia e o imperialismo, até ser dissolvida por Stalin, em 1943, atendendo às imposições do imperialismo inglês e norte-americano, aliado da URSS na II Guerra Mundial.

IV Internacional
É sobre os escombros da II e da III Internacionais que Trotsky dirigiu a construção de uma nova organização internacional.

De 1923 a 1928, com a Oposição de Esquerda, lutou dentro da URSS por uma política revolucionária para a III Internacional. Já exilado, em 1930, organizou a Oposição de Esquerda Internacional. Em 1933, a política stalinista levou à derrota do proletariado alemão e à subida de Hitler ao poder. Trotsky concluiu, então, que a III Internacional estava morta e era preciso construir uma nova internacional.

Em 3 de setembro de 1938, a IV Internacional foi fundada numa conferência em Paris com delegados de dez países: URSS, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Polônia, Itália, Grécia, Holanda, Bélgica, EUA e mais um delegado da América Latina, o brasileiro Mário Pedrosa.
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