A história da frente

A história das discussões que possibilitaram a frente tem sua importância. Apresentamos aqui, passo a passo, o histórico da discussão sobre a Frente de esquerda. 1 –A primeira vez que a proposta surgiu foi através de uma carta aberta do PSTU, durante o Fórum Social Mundial, em janeiro de 2005. Nela, o PSTU propunha ao PSOL uma frente de esquerda, classista e socialista. Esta mesma proposta foi reafirmada durante todo o ano passado, até o início de 2006, sem resposta pelo PSOL. A explicação para o silêncio estava nas negociações da direção do PSOL com o PDT para um acordo eleitoral.

  • 2 –A conferência nacional do PSTU, convocada para discutir a tática eleitoral, decidiu em março de 2006 reafirmar a proposta de uma frente eleitoral com o PSOL e o PCB.

  • 3 –A decisão do TSE, mantendo a verticalização das eleições, e a resistência da base do PSOL contra a aliança com o PDT, levaram a direção do PSOL a definir por uma frente com PSTU e PCB.

    No entanto, a concepção da direção do PSOL sobre esta “frente” era na realidade de uma adesão do PSTU às candidaturas do PSOL. Foi o momento em que o PSOL lançou as candidaturas ao governo e Senado em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, em atos públicos, além de definir a vice-Presidência com César Benjamin. Sem nenhuma discussão com os partidos que poderiam compor a frente, o PSOL impõs as candidaturas. Por outro lado, apresentou um programa que aponta para a revolução democrática, e para a possibilidade de alianças regionais com partidos burgueses.

  • 4 –O PSTU lançou Zé Maria como candidato a vice, pela frente. A pré-candidatura de Zé Maria foi um símbolo para uma campanha classista, com um programa de ruptura com o imperialismo e socialista. Além disso, foi uma forma também de contestar a indicação burocrática do nome de César Benjamin e os atos estaduais do PSOL, já lançando candidaturas ao governo e ao Senado, sem consulta à frente.

  • 5 –Depois de uma série de discussões, chegou-se a uma proposta de acordo entre as direções do PSTU, PSOL e PCB. Uma base de acordo programática comum se estabeleceu (ver página 8), negando os acordos regionais com partidos burgueses. O PSOL recuou das indicações dos candidatos ao Senado em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, que ficaram com o PSTU, assim como a candidatura ao governo de Minas. O PSTU recuou da indicação de Zé Maria para a vice-Presidência.

    Esta proposta foi levada para a Conferência Nacional do PSOL, sendo votada pela maioria dos delegados, contra a posição de uma ala deste partido. O site do PSOL descreveu assim a decisão: “Apesar de algumas divergências internas, os delegados indicaram que o P-SOL abre mão de disputar o Senado nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, além do governo de Minas Gerais, para apoiar os candidatos do PSTU. O mais importante não são os cargos, mas a unidade do que sobrou da esquerda socialista“, afirmou Heloísa.

    Por duas semanas, o PSTU discutiu internamente a proposta, concluindo então que está de acordo com as resoluções votadas democraticamente na conferência do partido, em março deste ano.

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