A estrada do Cordel

Imagem de divulgação do grupo

O Cordel do Fogo Encantado surgiu em 1997, em Arcoverde, que fica a cerca de 250 km de Recife, em Pernambuco. O grupo apresentava na região espetáculos de teatro, poesia e música.

Em 1998, o produtor Gutie, que trabalhava com a banda Mundo Livre SA, foi a Arcoverde e viu o Cordel do Fogo Encantado. Ele passou a ser o produtor do grupo, cujos shows ficaram mais musicais. Em 1999, o Cordel se muda para Recife. Foi a partir desse ano e dessa mudança também que Nego Henrique passou a integrar o grupo e trouxe para o Cordel as influências dos toques da Umbanda.

O Cordel do Fogo Encantado começou a fazer apresentações em várias cidades. Os primeiros shows em São Paulo ocorreram em setembro e outubro de 1999, essencialmente para um público universitário.

Em 2000, eles fizeram o show de encerramento do Rec-Beat, projeto de carnaval paralelo em Recife.No final do ano, o grupo lançaria seu primeiro disco, também chamado Cordel do Fogo Encantado. O álbum teve lançamento independente e foi produzido por Naná Vasconcelos.

Os shows do Cordel eram cada vez mais lotados e o grupo chegou a fazer uma turnê pela Europa, ainda em 2001. Sem tocar em rádio ou em televisão, o Cordel adquiriu fãs apaixonados em todo canto do país.

O primeiro disco era impregnado da cultura popular do nordeste, com samba de coco, poesia de cordel e batucadas de umbanda. Grande parte dos fãs ainda o consideram o melhor trabalho do Cordel. Músicas como Chover, Antes dos Mouros, ou Os oím do meu amor fizeram do Cordel um sucesso divulgado no boca-a-boca. Várias delas ainda estão nos espetáculos do terceiro disco, Transfiguração.

O segundo disco, Palhaço do circo sem futuro, foi lançado no final de 2002, com músicas que já estavam nos shows há algum tempo. Este deu ainda mais peso às percussões e ao elemento teatral no caso das apresentações. Nele, os elementos urbanos estão se misturando às influências nordestinas, provavelmente resultado da mudança do grupo para São Paulo desde 2001.

Além dos discos e dos espetáculos que viajam pelo Brasil, o Cordel também pode ser visto ou ouvido em alguns filmes nacionais dos últimos anos. Em Deus é brasileiro, o grupo aparece cantando a música Anjos Caídos. Em Lisbela e o prisioneiro, eles estão na trilha sonora com a música O amor é filme. Lirinha também atua no recente Árido Movie.

A comunidade dedicada ao grupo no Orkut tem atualmente mais de 52 mil pessoas. Nos shows, o público não só sabe de cor e canta as músicas, mas também declama poesias junto com Lirinha. O Cordel ainda não toca em rádio e televisão. Aliás, são poucas as lojas que têm seus discos à venda. Mas exerce uma magia sobre quem ouve, e se espalha como um rastro de pólvora, explodindo com toda a força onde puder alcançar.