A esquerda socialista e o segundo turno

Polarização entre Dilma e Serra esquenta debate sobre a melhor forma de combater a direitaEstá havendo uma pressão grande do governo e seus apoiadores no sentido de votar na Dilma “para evitar a volta da direita”. Temos acordo completo com a luta contra a oposição de direita. Somos radicalmente contra a volta da turma do FHC. Os governos do PSDB foram fundamentais para introduzir o neoliberalismo no Brasil, com privatizações e ataques aos direitos dos trabalhadores. Por isso, o PSTU atacou com clareza este partido na TV e teve o programa final da campanha presidencial retirado do ar, a pedido de Serra.

Mas lutar contra a direita não significa votar em Dilma Rousseff. Não podemos adotar a luta unicamente contra Serra, sob pena de capitular à pressão da colaboração de classes praticada pelos governos do PT.

Infelizmente o PSOL acabou cedendo a essa pressão e está defendendo nesse segundo turno o “Não à Serra”, o que significa, na prática, o chamado ao voto em Dilma Rousseff. Os três deputados federais e um dos dois senadores eleitos por esse partido apóiam explicitamente a candidatura Dilma nesse segundo turno. O PCB também se definiu pela mesma posição. Isso, na prática, legitima a falsa polarização entre os dois projetos majoritários da burguesia. Reconhece na candidatura Dilma a expressão da “esquerda” nessas eleições, o que é completamente equivocado.

Tanto Serra quanto Dilma vão atacar os direitos dos trabalhadores
Nessa campanha, a direita – entendida como a representação da grande burguesia -não está representada apenas por Serra, mas também por Dilma. No Brasil, as grandes empresas estão divididas nas eleições. Um setor apóia Serra, o que é mais do que evidente nas empresas de TV e nos principais jornais. Mas a maioria do grande capital, no entanto, que inclui os banqueiros, as multinacionais, os governos imperialistas, apóia política e financeiramente as duas campanhas.

As duas são financiadas pela grande burguesia. A campanha de Dilma arrecadou bem mais que a de Serra, até agora. O dólar se manteve estável nas eleições, estando abaixo de R$ 1,70. Todos lembramos do dólar perto dos R$ 4 nas vésperas das eleições de 2002, quando a burguesia ainda temia o que podia ser o governo Lula. Agora o grande capital confia no PSDB… e no PT.

Votar Dilma ou Serra é manter o plano econômico neoliberal aplicado por FHC e continuado por Lula. É manter bloqueada a reforma agrária, como aconteceu no governo FHC e também no de Lula. É aceitar a ocupação militar do Haiti defendida por Dilma e Serra.

Votar em Serra seria votar junto com FHC, Cesar Maia, Yeda Crusius, velhas figuras da direita desse país. Votar em Dilma seria votar junto com Maluf, Collor, Sarney, Jader Barbalho, outras velhas figuras da mesma direita.

Não existe um “mal menor” nesse segundo turno. Votar em Dilma ou Serra vai fortalecer um deles para atacar com mais força os direitos dos trabalhadores. Um governo do PSDB ou do PT vai atacar duramente os trabalhadores quando a crise econômica internacional chegar novamente ao Brasil. Tanto um como outro já anunciaram sua disposição de aumentar a idade mínima para a aposentadoria. Cada voto dado em Dilma ou Serra é uma força a mais que eles terão para aplicar uma nova reforma da Previdência.

Por vezes, é necessário saber ficar em minoria, quando é necessário. O PSTU defende com clareza o voto nulo nesse segundo turno, e chama os outros partidos de oposição de esquerda socialista a se somarem a essa posição. Essa é a melhor maneira de começar a preparar a luta direta dos trabalhadores contra o novo governo eleito.

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