A desiguldade social no país

Em setembro foi divulgada uma pesquisa mostrando a diminuição, pelo menos nas estatísticas, de pessoas que vivem na condição de miséria no Brasil. A pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostra que cerca de 5,88 milhões de brasileiros deixaram a miséria e passaram a ser consideradas “pobres”. Na definição da FGV, são consideradas miseráveis aquelas famílias cujo rendimento per capita é inferior a R$ 125. Elas representam hoje 19,3% da população em 2006, ou 36,154 milhões de pessoas.

O resultado foi bastante explorado pela grande imprensa e pelo governo. Ambos tentam demonstrar que houve uma “redução da desigualdade”, como produto da atual política econômica combinada com políticas sociais compensatórias, o Bolsa Família.
Mas o que representa deixar de viver na miséria para viver na pobreza extrema? Houve concretamente alguma redução na desigualdade social do país?
O sentido da propaganda governista é promover o embelezamento das migalhas do Bolsa Família e do crescimento econômico conjuntural, para esconder quem realmente ganhou no governo Lula: a grande burguesia.

Abismo
A verdade é que o Brasil continua sendo um dos países com um dos índices mais brutais de desigualdades sociais do mundo.

De acordo com o “Atlas de exclusão social – Os ricos no Brasil” (Cortez, 2004), somente 5 mil clãs de famílias chegam a se apropriar de mais de 40% de toda a riqueza nacional, embora o país registre mais de 51 milhões de famílias. O Atlas ainda aponta que 10% da população rica se apropria de 75%, enquanto 90% do povo brasileiro fica apenas com 25%.

Precarização
Nem mesmo os pífios índices de redução do desemprego, resultando do atual crescimento econômico, diminuíram a desigualdade. De acordo com um estudo do coordenador do Atlas, o economista Márcio Pochmann, atual presidente do Ipea, em 1980 o Brasil possuía cerca de um terço da renda per capta dos Estados Unidos. Atualmente caiu para um quinto. Pochmann explica que os empregos com carteira assinada criados durante o governo Lula apresentam baixa remuneração. O economista indica que de cada três postos abertos, dois pagam até R$ 450. Já outra pesquisa do IBGE afirma que metade das famílias teve em 2006 um rendimento abaixo dos R$ 360.

Isso sem falar ainda nos 18% dos trabalhadores que estão desempregados e outros tantos na informalidade. A manutenção do plano neoliberal aprofundou mecanismos que levaram à precarização, como a criação de cooperativas de empregados e a contratação dos chamados “autônomos”.

O agravamento da precarização recai, sobretudo, nas parcelas mais oprimidas da população: os trabalhadores negros e negras. Segundo o IBGE, os trabalhadores negros ganham 40% menos do que um branco que possui a mesma escolaridade.

Banquete dos ricos
Mas se o crescimento econômico proporcionou que um miserável “subisse” à condição de pobreza extrema, para os grandes capitalistas representou um enorme banquete.
Em um dos países mais desiguais do mundo, o número de bilionários no Brasil dobrou no último ano, totalizando 17, conforme publicou a revista “Forbes”. Juntos, os 17 bilionários brasileiros somam uma fortuna total de US$ 30,1 bilhões.

O primeiro lugar da lista é partilhado pelos irmãos banqueiros Joseph e Moise Safra. A fortuna dos dois é calculada em US$ 7,4 bilhões. Não poderia ser de outro modo. Afinal, como diz Lula, “nunca antes nesse país” os bancos lucraram tanto como estão lucrando agora. As cifras são cada vez mais astronômicas. Só o Itaú anunciou lucro recorde de R$ 4.016 bilhões no primeiro semestre de 2007, um aumento de 35,8% em relação ao mesmo período do ano passado. O banco passou o Bradesco, cujo lucro foi de “apenas” R$ 4.007 bilhões, valor 27,9% superior ao mesmo período de 2006.

Remessas
Neste ano, as empresas estrangeiras que atuam no setor industrial brasileiro também estão ampliando seus lucros. E como sempre enviam mais e mais remessas para o exterior. O tão comemorado “capital estrangeiro” enviou às matrizes US$ 3,6 bilhões de janeiro a maio, 65,8% a mais que no mesmo período de 2006. A industria de metalurgia e automobilística lideram o ranking, com envios de US$ 1,465 bilhões nos cinco primeiros meses do ano. Recentemente o vice-presidente José Alencar, defendeu que a sociedade deve aprender a “aplaudir” o lucro obtido pelas empresas. Ele deve ser o primeiro a comemorar. Afinal, seu grupo, a Coteminas, faturou US$ 2,5 bilhões só em 2006.

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