A derrota de Bush e o futuro de Lula

A derrota de Bush é bem mais do que um simples resultado eleitoral. Trata-se de um reflexo, no país imperialista mais importante do planeta, das lutas contra a invasão do Iraque. O povo norte-americano percebeu o pântano no qual a ocupação afundou e votou contra Bush. É um reflexo, ainda que distorcido pelo sistema eleitoral dos EUA, das lutas contra o imperialismo em todo o mundo.

O Partido Democrata está comemorando, mas não pode apresentar uma alternativa real para a armadilha iraquiana em que o imperialismo se meteu. O risco de derrota é claro e a resistência cresce a cada dia. Os democratas apontam para a manutenção do mesmo plano de Bush, com pequenas variações. Mas o que está questionado neste momento é a ofensiva militar, patrimônio também do Partido Democrata.

Tempos complicados para o imperialismo. Um sentimento antiimperialista cresce em todo o mundo, focado no repúdio a Bush, mas expressando uma rejeição a seus planos econômicos e militares.

Isso é um mau sinal para os que se apóiam integralmente nesses planos. Mesmo para os que, ao contrário de Bush, acabam de ter vitórias eleitorais, como Lula. Os números do PT indicam uma vitória maior do que em 2002, em número de votos e na base de apoio governista eleita. Mas Lula foi eleito através de mais uma farsa eleitoral: os trabalhadores votaram na expectativa de que sua vida melhore. Ou pelo menos que não piore. Mas vai piorar e muito.

Lula navega na onda da centro-esquerda da América Latina, de governos de Frente Popular (com partidos operários e burgueses) e populistas. Uma onda apoiada no engano – a origem social popular desses governantes, que, no entanto, aplicam os planos da burguesia – e no crescimento econômico conjuntural.

Porém, já existem sinais de que o crescimento atual da economia mundial vai se transformar em mais uma crise. Haverá um choque na consciência dos trabalhadores quando virem o governo no qual ainda confiam tentando acabar com seus direitos. Os trabalhadores brasileiros em sua maioria rejeitam Bush, mas não imaginam que, por trás das reformas planejadas por Lula, está o governo norte-americano.

É este sentimento antiimperialista e anti-neoliberal que teremos que virar contra Lula, para mostrar quem é seu verdadeiro patrão. Ele ainda aparece com sua antiga cara de liderança operária. Hoje, isso já começou a ser borrado pela experiência dos quatro anos de corrupção e o mesmo plano econômico. Mas essa face antiga ainda não está apagada. O próximo mandato é o momento em que isso poderá ocorrer.

A Conlutas começou uma grande campanha contras as reformas trabalhista e previdenciária. Essas lutas estarão no centro do enfrentamento contra o governo no próximo mandato. Um seminário nacional em outubro reuniu lideranças de todo país. Agora, estão sendo realizadas reuniões nas regiões para explicar essas reformas. Esse é o início da preparação de grandes lutas para o ano que vem. Chamamos os sindicatos e entidades do movimento sindical, popular e estudantil a se somarem a essa campanha.

É possível derrotar o imperialismo no Iraque! É possível derrotar seus planos econômicos de reformas no Brasil!

Post author Editorial do Opinião Socialista 281
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