A comida ficou mais cara em maio

Aumento do preço dos alimentos, indicado em rosa. Fonte: Dieese

Pesquisa mensal dos preços de produtos básicos realizada pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) confirma a tendência de inflação da cesta básica. Das 16 capitais pesquisadas no mês de maio, 14 apresentavam alta no valor de produtos essenciais. Os maiores aumentos ocorreram em Recife (PE), cuja inflação ficou em 14,19%. Já em Natal (MA), o aumento foi de 8,91%. A capital de Santa Catarina, Florianópolis, fechou o mês com alta de 7,61%.

No acumulado de janeiro a maio, o Nordeste foi a região que mais sofreu com a inflação dos produtos básicos. O preço da cesta básica de Recife aumentou 26,52 % no período. Fortaleza teve aumento de 24,28% e Natal, de 21,87%.

Com a inflação de maio, a cesta básica mais cara passou a ser de Porto Alegre, avaliada em R$ 236,58. Em seguida vem a da capital paulista, custando R$ 233,92 e Belo Horizonte, com o valor de R$ 230,55.

Alimentos
O aumento da cesta básica reflete o aprofundamento da crise mundial dos alimentos. Ao mesmo tempo em que o preço do feijão vai se reduzindo, embora ainda esteja bem mais alto que no ano passado, o do arroz sobe com maior velocidade. Em São Paulo, entre janeiro e maio, o feijão baixou 13%, ao passo que o arroz subiu 26%.

Em maio o arroz também aumentou em 14 outras capitais. O aumento do alimento mais popular da mesa dos brasileiros chegou a atingir 36,7% em Florianópolis. A carne também aumentou em 15 cidades pesquisadas. O maior aumento também ocorreu na capital de Santa Cataria, que registrou elevação de 9,92%.

Já o pãozinho francês aumentou em 14 capitais. Em Porto Alegre, o pãozinho ficou mais de 10% mais caro. O leite aumentou em 13 das cidades avaliadas.

Como se não bastassem esses aumentos, a inflação também atingiu os aluguéis e o preço dos remédios. Ainda segundo o Dieese, “o que se pode depreender destes resultados, é que a inflação de maio foi muito prejudicial para as famílias de menor rendimento, pois se originou de itens de consumo importantes: alimentação, locação e remédios, que pesam relativamente mais em seus orçamentos domésticos, frente às famílias de maior poder aquisitivo”.

Salário mínimo
Diante dessa série de aumentos verificados em maio, o Dieese calculou o salário mínimo vital para R$ 1.987,51. Esse valor, divulgado mensalmente pelo Departamento, é a referência de quanto deveria ser o valor do mínimo para atender sua função constitucional, ou seja, sustentar um trabalhador e sua família por um mês.

Hoje o mínimo é quase cinco vezes menor que isso. Com a tendência de inflação, o salário fica cada vez mais arrochado. O governo Lula se vangloria de aplicar uma suposta política de valorização do salário mínimo. No entanto, esses reajustes ficam bem abaixo do aumento do índice do custo de vida. Nos últimos 12 meses, esse índice aumentou mais de 20%, ao passo que o mínimo teve reajuste de apenas 9,2%.

LEIA TAMBÉM

  • Nota do Dieese sobre alta dos alimentos