A COB não deve apoiar pactos entre governo e ultradireita

A questão de fundo desse e certamente de outros conflitos é a luta pela terra e pelo controle sobre a segunda maior reserva de gás natural da América do Sul. Uma vitória dos camponeses que lutam pelo direito à terra exige expropriação dos grandes latifúndios que estão nas mãos dos representantes dos comitês cívicos, empresários e dos prefeitos da ultradireita.

Para que o gás e o petróleo ajudem o desenvolvimento do país e estejam a serviço das necessidades do povo pobre, é necessária uma verdadeira nacionalização, sob o controle dos trabalhadores. É necessário nacionalizar todas as mineradoras privadas e garantir emprego e melhores salários.

Para ir a fundo nessas tarefas, os trabalhadores bolivianos e camponeses devem confiar apenas em suas próprias forças. Isto é, manter a mais absoluta independência política frente ao governo Morales, que está impondo um caminho inverso, de buscar um acordo com a ultradireita.

Infelizmente essa não tem sido a postura da COB. Sem consultar sindicatos e federações, a direção deu seu apoio ao governo de Evo e assinou o denominado “Pacto de Unidade”. Esse pacto não é uma unidade de ação contra a ultradireita, que poderia ser justa, desde que mantivesse a independência política. Não se definiu nenhum plano de lutas, de mobilizações concretas. Esse pacto é um apoio ao governo Evo em sua política de capitulação.

Concordamos com Guido Mitma, secretário executivo da combativa Federação Sindical de Trabalhadores Mineiros, que recusou tal pacto e disse que a direção da COB compromete a independência política dos trabalhadores. “Para nós, isto (o pacto da COB com Morales) é um tema político e os trabalhadores não devem se prestar a isto. De princípio refutamos a atuação do colega Pedro Montes (principal dirigente da COB), que de maneira inorgânica assinou um pacto com o oficialismo”, afirmou.

É preciso que a COB mantenha sua independência e não apóie os acordos do governo e que encabece uma frente única operária e camponesa, como uma alternativa de esquerda ao governo Evo, para mobilizar os trabalhadores. Ou se avança para isso, ou avançará a burguesia com seus métodos fascistas.
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