A celebração de uma vida dedicada a IV Internacional

Foi com animação e emoção que cerca de 1.800 militantes e ativistas lotaram o auditório Simón Bolívar, no Memorial da América Latina (SP). Vindas de todos os cantos do país, as caravanas chegavam em eufóricas passeatas, cantando refrões internacionalistas, agitando bandeiras e batucando bumbos.

Para os jovens militantes, o ato foi particularmente importante pelo contato com a tradição da “corrente morenista” e seus militantes mais antigos. Para os mais velhos, era nítida a emoção provocada pelo reencontro com companheiros que já fizeram parte desta história.

Encontros e reencontros que provocaram lágrimas em muita gente, mas também foram cercados de alegria e orgulho em manter vivo o legado do “Velho” e aquilo a que ele dedicou todo sua vida: a reconstrução da Internacional.

A garra daqueles que se dedicam à luta
Foi esta certeza que fez com que não se medissem esforços para participar da atividade. De Minas Gerais, por exemplo, vieram 115 pessoas. “Uma delegação operária, com trabalhadores da Vale do Rio Doce, da CSN e das principais metalúrgicas de Minas, que estão aqui porque têm consciência que este ato é mais do que uma homenagem: é a celebração de uma vida dedicada à luta revolucionária”, afirmou Nazareno Godeiro.

Vindos do Rio de Janeiro, por volta de 300 companheiros de diversas categorias (que fizeram uma intensa campanha financeira para custear a viagem, inclusive com a venda de “sacolés” e cerveja no carnaval) também carregavam esta certeza juntamente com suas faixas e bumbos.

“Esse é um ato muito importante para todos que conseguiram ‘sobreviver’ a esta época de dispersão. Moreno foi quem nos formou, nos deu a nítida dimensão do que é ser revolucionário”, afirmou Carlos Alberto Araújo, trabalhador dos Correios do Rio. “Os que estão aqui têm a certeza de que estão fazendo parte de algo muito importante”, completou.

A eles juntaram-se centenas do estado de São Paulo, outros tantos da região Sul do país ou de estados tão distantes como Pernambuco, Bahia e Maranhão.


Gente como Frota, dirigente rodoviário e militante do PSTU do Macapá. “Para nós, da regional mais distante do partido, é um orgulho muito grande ter feito esse esforço para estar aqui”, declarou Frota, que, para chegar ao ato contou com a solidariedade de toda regional.

Trabalhadores e jovens que tomaram o Memorial não para lembrar o passado, mas, sim, para celebrar uma luta que continua viva. Foi isso que, por exemplo, fez com que dezenas de operários e ativistas do movimento popular se deslocassem de São José dos Campos (SP). “Moreno é parte da nossa luta, foi ele quem apontou o caminho para dirigir a classe operária e é por isso que o Vale do Paraíba vem aqui prestar essa homenagem”, disse Luís Carlos Prates, o Mancha.

Acompanhando os companheiros e companheiras do Pinheirinho – que chegaram com uma faixa dizendo “A luta de Moreno continua viva na luta do Pinheirinho” –, o companheiro Marrom, um dos dirigentes da ocupação, afirmou que “onde quer que haja uma luta, seja por moradia, por terra, salário ou emprego, o companheiro Moreno sempre estará presente, pois sua vida foi toda ela dedicada à defesa das reivindicações do povo explorado. Também é fundamental estar aqui para ver que nossa luta tem a solidariedade de trabalhadores da Venezuela, do Equador, da Argentina, da Colômbia e tantos outros países”.

…e se renova na luta de classes
Dentre os convidados internacionais, cabe destacar a presença do italiano Valério Torres, dirigente do recém-fundado Partido da Alternativa Comunista (PdAC), que solicitou ingresso à LIT. Ele ressaltou que o ato aponta para “a reconstrução da IV Internacional”.

E exatamente esta possibilidade que mais empolgou os participantes do ato, como declarou Martin Hernandez, dirigente da LIT: “Esse foi um ato histórico e não só porque homenageou Moreno, mas porque reuniu correntes, organizações que estão na LIT e outras que estão se aproximando. Isso expressa um importante avanço na reconstrução da IV Internacional”.

Uma possibilidade que também tocou profundamente Ernesto González que, com 83 anos, o militante morenista mais antigo em atividade.

A maior homenagem a Moreno foi demonstrar que ele está vivo em cada militante revolucionário presente ao ato ou engajado em alguma luta mundo afora. Ao final do ato, todos entoaram “A Internacional”, de punho em riste e ânimo redobrado, enquanto um grupo de mulheres fazia tremular, no palco, as bandeiras de cada uma das seções da LIT.

Post author Yara Fernandes e Wilson H. da Silva, da redação
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