A cara do Congresso

O ultraconservador Severino Cavalcanti, 74 anos, é um típico representante da maioria dos deputados. Desde os anos 1960 na política, já trocou de legenda seis vezes, sempre se aninhando com o grupo político no poder. De mentalidade medieval, confunde Igreja com Estado e vê o homossexualismo como depravação. Em sua primeira entrevista coletiva, no dia 16, mostrou toda a sua veia conservadora e homofóbica, declarando-se contra a legalização do aborto (inclusive em casos de estupro) e a união civil entre homossexuais.

Por duas vezes Severino havia se candidatado à Presidência da Câmara, mas sempre renunciava em troca de cargos em alguma comissão parlamentar. Desta vez, em meio à disputa entre a oposição burguesa e o governo, o grande beneficiado foi um legítimo representante do “baixo clero” – nome dado ao grupo de parlamentares sem muita notoriedade, mas que ganha a vida nas sobras de grandes negociatas.

Defendendo aumento dos salários e recesso de 90 dias para os parlamentares, Severino se elegeu com os votos dos mesmos 300 picaretas que há tempos Lula denunciou, mas que hoje são considerados “aliados”.

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