A burguesia fede: a diversão sem limites nas altas rodas cariocas

No último domingo, um telejornal da Rede Record mostrou uma notícia que poderia lembrar algumas brincadeiras da infância, mas que, lamentavelmente, está longe de ser isso. Quem nunca brincou de jogar ovo e farinha de trigo no amigo que estava fazendo aniversário? Ou tocou a campainha da vizinhança? O que mostrou o telejornal e veículos como o jornal Extra, porém, foi mais um episódio lamentável da burguesia.

A burguesia fede
Em 1989, Cazuza, um filho da burguesia, traduzia o modo de vida dessa classe em Burguesia. “A burguesia não repara na dor/Da vendedora de chicletes/A burguesia só olha pra si”, assim definia o poeta.

Em 2007, um grupo de outros filhos da burguesia encontrou uma maneira mais tosca de revelar a sua classe. Dirigidos por João Eduardo Brizola, neto de Leonel Brizola, e Luiza Jobim, filha de Tom Jobim, fizeram um vídeo sobre a estúpida brincadeira de jogar ovos pelas janelas dos bairros nobres. Luiza foi mais longe e assassinou a música de seu pai, Wave, fazendo uma paródia ridícula sobre ovos chocando.

A reportagem da TV Record mostrou figuras como Boninho, diretor da Rede Globo, do programa Big Brother Brasil, ensinando a colocar éter nos ovos; Narcisa Tamborindeguy, socialite, contando que “quando está muito louca” lança tudo e se esconde na cortina; entre outros nomes das altas rodas cariocas, como Bruno Chateaubriand, neto de Assis Chateaubriand e dono de uma rede de lojas de sapatos. O vídeo mostra a diversão que é jogar ovos em pedestres, carros, lotações e nas “galinhas” nas ruas.

Aqui não vamos nos ater aos ovos, podres ou não, mas à forma de diversão encontrada pelas elites no capitalismo selvagem, onde tudo beira ao caos. Longe de serem demonstrações de uma platéia descontente no teatro de arena ou protestos, o que observamos são os valores da burguesia e da classe média alta, o “não ter limites”. Eles vivem cercados pelas propagandas, onde é imperativo o “compre, faça, não tenha barreiras, rompa seus limites”. Tudo é mercadoria e o dinheiro que têm faz com que sejam “os tais”, acima de qualquer julgamento, podendo fazer qualquer coisa.

Por isso a falta de surpresa pela frase dita pelo Boninho “Acertei muita vagabunda em São Paulo, muito ovo estragado”. É assim que a burguesia trata as mulheres e os pobres. Casos como o da empregada doméstica Syrlei, agredida por playboys quando esperava um ônibus, são construídos no dia-a-dia da elite.

Enquanto houver burguesia, não vai haver poesia
Essa fala e os ovos atirados pelas janelas dos ricos expressam o que a burguesia vem fazendo há anos, depois da escravidão, que acabou somente em tese. Usar pobres e setores mais oprimidos – principalmente mulheres, negros, homossexuais – para seu deleite, não somente com piadas e ovos, mas queimando, espancando, matando, tudo ao bel prazer: não há limites para a diversão dos ricos.

A degradação moral dessa classe só pode ser combatida de uma forma, e não é dando a eles escolas. Ao contrário do que reza a ideologia burguesa, eles tiveram “boa educação” e estudaram a vida toda nas melhores instituições. Tem de se combater o capitalismo, pois enquanto vivermos numa sociedade em que poucos têm muito e muitos têm tão pouco, continuaremos com esses poucos achando que podem pisar nos demais!

Como escreveu Cazuza, “enquanto houver burguesia, não vai haver poesia!”

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