A 50 anos da morte de Che Guevara

Em 9 de outubro de 1967, Ernesto Che Guevara era executado. Ele se encontrava prisioneiro na aldeia de La Higuera, na Bolívia. Estava amarrado e deitado no chão quando foi assassinado pelo sargento Mario Teran. Ainda hoje, ele é referência para militantes de esquerda e para a juventude do mundo inteiro.

Foi um grande combatente e um dos maiores revolucionários do século 20, internacionalista, que sempre esteve na ala esquerda da guerrilha, propondo uma reforma agrária radical e discordando dos dirigentes do Movimento 26 de Julho que tinham uma visão democrático-burguesa da revolução. Também foi o que primeiro lutou contra as tendências burocráticas no interior do Estado cubano e crítico de Moscou.

Ainda assim, é preciso analisar essa grande figura de forma crítica, do modo como ele mesmo analisava a realidade. Para ele, não havia a necessidade do partido revolucionário para mobilizar e organizar as massas operárias e populares. Em sua concepção, a ação guerrilheira eram o caminho para a revolução. A revolução seria, antes de tudo, uma questão de vontade dos revolucionários. Estimulou que pequenos grupos de vanguarda se armassem e começassem já a luta armada.

Em seu texto Guerra de Guerrilhas, diz que “nem sempre há que esperar que se deem todas as condições para a revolução; o foco insurrecional pode criá-las”. O efeito dessa política foi trágico. O exemplo e as teorias do foco guerrilheiro estimuladas por Guevara levaram uma geração inteira a partir para a guerrilha, deixando-os isolados e massacrados. Esta aventura dizimou milhares de vidas, inclusive a sua.

Evidentemente, esse erro enorme de Che não anula seus méritos e o grande combatente que foi. Apesar de tudo, optou por morrer na guerrilha a se transformar num burocrata do Estado cubano. Com um método equivocadíssimo, que desprezava a organização das massas operárias, tentou espalhar a revolução para além de Cuba. Dedicou sua vida à luta contra o capitalismo e o imperialismo, defendeu a solidariedade ativa aos povos em luta. Foi a vanguarda dessa solidariedade e pagou com a vida por ela.

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