10 de Maio: Mobilização Internacional pela regularização

Leia abaixo o Manifesto Internacional dos “sem papéis”, trabalhadores imigrantes que estão em situação ilegal) que fazem um chamado a uma paralisação nos Estados Unidos dos trabalhadores imigrantes e nativos no próximo 10 de maio. A LIT-QI apóia este manifesto e sua convocação

O dia 10 de Maio e o dia dos trabalhadores na maioria dos países. A data é uma em homenagem a memória dos trabalhadores que deram a vida para conquistar jornada de 8 horas de trabalho. Neste dia em todo o mundo haverá manifestações reivindicando os direitos da classe trabalhadora e dos povos oprimidos. É um día de luta, de celebração, de orgulho. É nosso dia, independente do país onde nascemos, aqui ou em outro canto do planeta, nós enfrentamos as mesmas injustiças.

Nos EUA são os sem papéis que estão reivindicando esta data e retomando sua jornada de lutas. Hoje, 100 mil trabalhadores imigrantes saíram as ruas protestando contra os ataques racistas aos imigrantes materializados na proposta HR4437, aprovada pela Casa de Representantes do Congresso Nacional. No 10 de maio, os imigrantes estão convocando um dia de “sem imigrantes” e um boicote internacional de produtos norte-americanos e exigindo a regularização dos 12 milhões de sem papéis. O 10 de Maio não é feriado nos EUA e ao paralisar todas atividades neste dia, os imigrantes querem demonstrar a sua real importância econômica para o país.

Na Europa, os sem papéis estão se mobilizando pelas mesmas razões. Na Bélgica, 10 mil pessoas saíram às ruas para exigir o fim das expulsões e a regularização dos sem papéis, para dizer NÃO as prisões para os filhos de imigrantes nascidos no “lugar errado”.

Hoje os sem papéis tomaram seis igrejas e clamaram pela regularização com uma greve de fome.

Na Espanha, um processo de regularização limitado, realizado há um ano atrás, deixou a 100 mil trabalhadores sem papéis e muitos outros com grandes dificuldades para renovar sua permanecia no país. Há meses, milhares de sem papéis foram às ruas de Madri entoado o grito: “nativa o extranjera la misma clase obrera” (nativa ou estrangeira, a mesma classe trabalhadora).

Nos Países Baixos, a população se levantou contra morte de dezenas de sem papéis queimados em jaulas como se fossem ratos no incêndio de Schiphol, em outubro do ano passado. Na França, milhões de jovens árabes saíram às ruas para protestar contra a discriminação, e hoje os sem papéis se unem às lutas dos jovens e trabalhadores franceses contra a precarização do trabalho e o Contrato de Primeiro Emprego.

Papéis para todos sem condições
É esse sistema mundial baseado na busca desenfreada pelo dinheiro e na ultrajante exploração do planeta e da maioria de seus habitantes, que está provocando a fuga de milhões de trabalhadores dos países mais pobres até os países mais ricos em busca de trabalho e de uma maneira de sustentar sua famílias.

Diante do fenômeno migratório, os governos dos países ricos implementam leis cruéis que acorrentam e controlam os imigrantes. As distintas leis sobre os estrangeiros e outras propostas de “ajuste” de imigrantes em todo o mundo, regulam as condições de trabalho, de vida e residência dos imigrantes, submetendo-os a uma dupla legislação, criando cidadãos de segunda categoria e uma nova forma de escravidão. São, por tanto, leis xenófobas de ódio ao estrangeiro.

Assim como Europa postula “exportar seus imigrantes” para a Líbia, Marrocos, etc., nos EUA querem mover a fronteira ao sul do México e usar o governo mexicano para controlar o fluxo de imigrantes. Esta é uma luta que se generaliza a todos os países ricos: França, EUA, Bélgica, Inglaterra, Suíça etc. Mas as lutas dos imigrantes travadas nesses países têm reflexos nos demais e, por isso, devem começar a se coordenarem entre si.

Todos os imigrantes que se encontram nos países de acolhida têm o direito a ter os documentos que lhes permitam um trabalho digno, diretos e dignidade. O uso do “status migratório” serve aos governos para manter uma massiva mão de obra de reserva que não pode exigir dignas condições de trabalho, e isto, por sua vez, permite rebaixar as condições de trabalho e de salários de todos os trabalhadores.

Nativos ou estrangeiros,somos todos trabalhadores
A divisão dos trabalhadores entre nativos e estrangeiros, entre imigrantes com papéis e sem papéis, se aplica para prejudicar e impedir nossa união. Isto permite a aplicação de leis como a Nova Reforma Trabalhista na Europa que ataca e reduz nossos diretos. Os primeiros que são afetados por estas reformas que facilitam as demissões são os imigrantes.

Por isso, todos trabalhadores, com ou sem papéis, devem ser admitidos sem discriminação nas organizações sindicais que defendem os diretos de todos nós.
Nativos ou estrangeiros, somos todos trabalhadores. Isto significa o fim da divisão entre os trabalhadores e a unidade de ação contra o sistema que favorece a escravidão e o racismo.

Neste primeiro de maio vamos às ruas a gritar: diretos, dignidade e respeito. Chamamos todos os trabalhadores, sem papéis ou com papéis, a se unirem e a subscrever esta declaração internacional dos movimentos dos sem papéis.

EUA: Coalición Nacional por Dignidad y Residencia Permanente
Bélgica: Unión De Sans Papiers (UDEP)
Espanha: Asociación de Trabajadores Inmigrantes en España (ATRAIE)
Francia: Coordination Nationale des Sans Papiers (CNSP)
Italia: Comitato Immigrati in Italia

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