Nomes aos bois: Quem são os carrascos dos trabalhadores no Congresso Nacional

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Rodrigo Maia, Temer e Eunicio Oliveira: corruptos que querem roubar a sua aposentadoria

Deveriam estar na cadeia, mas estão no Congresso aprovando o fim da sua aposentadoria e direitos trabalhistas

As reformas que tramitam no Congresso Nacional visam destruir a Previdência pública e os direitos contidos na CLT. São exigências dos banqueiros, grandes empresários e multinacionais para, num momento de crise, manterem seus lucros aumentando a exploração.  Eles têm em suas mãos esse governo corrupto e um Congresso Nacional afundado na Lava Jato e completamente desmoralizado.

Quem são os picaretas que estão à frente das reformas? É claro que não daria aqui para listar todos eles, já que é a grande maioria desse Congresso, além do corrupto Michel Temer no Planalto. Escolhemos alguns dos principais nomes que serve para dar uma ideia dessa gente: em geral grandes empresários, latifundiários, financiados por banqueiros e empreiteiras e, invariavelmente, metidos na Lava Jato.

Rodrigo Maia (DEM-RJ)

O deputado foi eleito presidente da Câmara para um mandato tampão no ano passado após a cassação de Eduardo Cunha, quando teve votos do PSDB, PT e PCdoB. Na ocasião, disse que “sem a esquerda não venceria essas eleições“. Reeleito em fevereiro último, Maia reforçou seu alinhamento a Temer, sendo um servil capacho às vontades do presidente e dos banqueiros.

Colocou o regime de urgência da reforma trabalhista para votar em 18 de abril no plenário da Câmara e perdeu, mas deu uma de Eduardo Cunha e colocou novamente em votação no dia seguinte, tempo suficiente para que seu chefe distribuísse cargos e dinheiro a rodo pela base aliada.

Mas quem é Rodrigo Maia? O “Botafogo” da lista da Odebrecht ascendeu no partido justamente no momento de sua maior crise, quando o então PFL perdia grande parte da sua força e tentava dar aquela recauchutada, mudando o nome para DEM. Maia é apostado então como um nome “jovem” para a sigla que é sucessora do PFL, que por sua vez tem sua origem na Arena, partido da ditadura.

É acusado pela Polícia Federal de ter recebido propina da OAS em troca de sua atuação para a aprovação de Medidas Provisórias de interesse da empreiteira. E seu nome aparece nas delações da Odebrecht, acusado por Cláudio Melo Filho de ter recebido R$ 600 mil em propinas, também em troca da aprovação de MP’s.

Eunício Oliveira (PMDB-CE)
O presidente do Senado é um ardoroso defensor das reformas da Previdência e trabalhista. Também, veja só, sua empresa de transporte, a Confederal Vigilância e Transporte de Valores, acumula dívidas previdenciárias de R$ 8,4 milhões.

Ex-Ministro do governo Lula, onde ocupou o Ministério das Comunicações entre 2004 e 2005, Eunício é uma das lideranças da bancada ruralista no Senado. Dono de diversas empresas e fazendas, Oliveira viu seu patrimônio (o declarado pelo menos) crescer de R$ 36 milhões para R$ 99 milhões no curto espaço entre 2010 e 2014.

Eunício é ainda acusado de ter recebido pelo menos R$ 2 milhões da Odebrecht entre 2013 e 2014, segundo delação do ex-executivo Cláudio Melo Filho. Também teria recebido R$ 5 milhões em caixa 2 durante suam campanha ao governo do Ceará em 2014.

Rogério Marinho (PSDB-RN)
O escolhido para relatar o projeto de reforma trabalhista na Câmara foi o deputado federal Rogério Marinho (PSDB-RN). O político já foi vereador de Natal e secretário do desastroso governo de Rosalba Ciarlini (DEM), governadora que terminou o mandato com desaprovação recorde de 82%.

Dias antes da votação do regime de urgência para a tramitação da reforma na Câmara, Marinho participou de um evento com empresários em São Paulo em que, tomado de um rompante de sinceridade, afirmou que era bom que a reforma trabalhista estivesse fora de foco com todos os olhos voltados à reforma da Previdência. “A reforma da Previdência nos deu uma espécie de cortina de fumaça. Só se discute a reforma da Previdência, só se fala da reforma da Previdência. Está fora do radar a reforma trabalhista, e é bom que seja assim“, disse à plateia de endinheirados no dia 17 de março durante um debate da Câmara Americana de Comércio Brasil-Estados Unidos.

Mas Rogério Marinho não é apenas um pau mandado dos empresários. Ele próprio tem interesse direto na medida. O deputado é investigado no Supremo Tribunal Federal por fraude numa empresa terceirizada em que seria sócio. Além de fraude em licitações, a empresa é investigada por forçar funcionários demitidos a renunciarem a suas rescisões e devolverem a multa do FGTS.

No governo Rosalba, aliás, o então secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Norte bolou um programa para criar oficinas terceirizadas no interior do estado, o “Pró-Sertão”. A principal contratante era a Guararapes Confecções (da Riachuelo), uma das financiadoras da campanha de Marinho. A ONG Repórter Brasil identificou funcionários dessas oficinas terceirizadas recebendo menos que um salário mínimo.

Arthur Maia (PPS-BA)
O relator da reforma da Previdência na Câmara, deputado Arthur Maia (PPS-BA), é um dos parlamentares cujo nome estrela a “lista Fachin”. Maia apareceu na delação de dois ex-executivos da Odebrecht, que relataram o repasse de R$ 200 mil em caixa 2 à campanha do político em 2010.

Maia também tem interesses bastante concretos na aprovação dessa reforma. Sua campanha em 2014 foi financiada por empresas de previdência privada, como a Bradesco Vida e Previdência, de quem ganhou quase R$ 300 mil. Sua campanha também recebeu doações do Itaú Unibanco, Safra e Santander, bancos interessados em vender planos de previdência privada.

Romero Jucá (PMDB-RR)
No Senado, a reforma trabalhista deve passar pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), Comissão de Assuntos Sociais (CAS) e pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Nesta última terá como relator o senador Romero Jucá (PMDB-RR), que dispensa maiores apresentações.

Ex-ministro e ex-líder dos governos Lula e Dilma, Jucá coleciona escândalos de corrupção. O último foi a divulgação da gravação de uma conversa sua com o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, no qual articula uma operação para abafar a Lava Jato e “estancar a sangria”. Por conta disso perdeu o cargo de ministro do Planejamento do governo Temer.

Romero Jucá foi delatado por Paulo Roberto Costa, que o acusa de receber propina nas obras de Angra 3, e pelo ex-executivo da Odebrecht, Claudio Melo Filho, que afirma ter passado R$ 22 milhões em propinas para que o político ajudasse na aprovação de Medidas Provisórias do interesse da empreiteira. Ele ainda é investigado por recebimento de propinas na construção da usina de Belo Monte.

O senador é um dos mais enrolados em corrupção no Congresso Nacional, mas não só não está preso como é o líder do governo no Senado e vai estar à frente da reforma trabalhista na CCJ.

Ricardo Ferraço (PSDB-ES)
Já na Comissão de Assuntos Econômicos (e cogita-se também na de Assuntos Sociais), o relator da reforma trabalhista será o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES). Ferraço já disse que defende que o Senado aprove a medida sem alterações. Segundo ele, Marinho realizou um “excelente trabalho” na Câmara. Para Ferraço, o grande número de ações trabalhistas “depõe contra a prosperidade da economia“. Mas ao invés de obrigar os patrões a cumprirem a lei e, assim, evitar processos trabalhistas, o governo quer simplesmente impedir que o trabalhador ingresse com ações contra os patrões que não respeitam direitos.

Assim como seu colega Jucá, Ferraço também está enrolado na Lava Jato. Ele é denunciado por dois delatores da Odebrecht por ter recebido R$ 400 mil em caixa dois à sua campanha ao Senado em 2010.

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