Raça e Classe: aquilombar para reparar

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“Entre eles, tudo que é produzido é distribuído de acordo com o trabalho e a necessidade de cada um.”

Este relato, feito por um capitão do mato infiltrado no Quilombo dos Palmares em 1694, revela o grande temor da elite da época: a possibilidade de construção de uma sociedade que era o oposto do mundo colonial. Liberdade no lugar da escravidão. Distribuição de riquezas ao invés do latifúndio e do monopólio.

Para nós do PSTU, essa é a principal lição deixada por Zumbi, Dandara e seus quilombolas: o fim do racismo passa, obrigatoriamente, pelo confronto direto com sistema que lucra com a opressão. A mesma lição dada por João Cândido quando bombardeou o governo federal na luta contra a chibata; por Luiza Mahin e os malês; pelos Balaios e Cabanos; pelos Lanceiros Negros; por Toussaint L’Overturne e Sanite Belair na Revolução Haitiana.

Hoje, no Brasil, o povo negro está encerrando sua experiência com o PT e seu governo de conciliação de classes. Está voltando suas costas tanto para a casa grande quanto para seus capatazes e, ao mesmo tempo, colocando em xeque o mito da democracia racial, fundamental para alimentar as ilusões na democracia burguesa.

Isso nos obriga a discutir os métodos e os aliados que podemos ter para erguer novos quilombos. Acreditamos que para acabar com a herança maldita deixada por 380 anos de escravidão e pela diáspora africana é preciso retomar a luta por reparações históricas. 

Não por reparações individuais ou migalhas de um sistema que já está podre. Queremos liberdade, igualdade plena, saúde, moradia, transporte e educação de qualidade. Queremos o fim do genocídio e da violência contra mulheres e LGBTs negras.

Para travarmos essa luta, já temos nossos protagonistas. São as mulheres negras que têm estado à frente de mobilizações país afora. São os jovens que estão se organizando nas periferias, ocupando escolas e resgatando o orgulho de nossa negritude, cultura e tradições.

Por isso, “aquilombar pra reparar” é o grito de guerra que faremos ecoar nas Marchas da Periferia neste Novembro Negro. Um grito pela organização e pela luta de negros e negras ao lado de seus verdadeiros aliados, os oprimidos e explorados.