O momento é de ações unitárias e de debater as diferenças estratégicas

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Ato no Rio de Janeiro neste dia 18 de maio

Esse é um momento da mais ampla unidade de ação para derrubar o governo Temer. Os atos de rua de quinta-feira, 17, indicam que se pode ampliar muito as mobilizações nos próximos dias. A declaração provocativa de Temer que não renunciará pode jogar lenha em uma grande fogueira e incendiar o país. É possível tentar reeditar um novo junho de 2013 no Brasil? As mobilizações dos próximos dias podem responder a isso.

É necessário cobrar das centrais uma Greve Geral de 48 horas, ampliando o que foi feito no dia 28 de abril. A CSP-Conlutas propôs isso. Por que a CUT não assume essa posição? Por que o PT não quer derrubar Temer pela mobilização dos trabalhadores? É preciso exigir a Greve Geral das centrais sindicais e também atos unitários, necessários para colocar milhões nas ruas.

A mobilização do dia 24 de maio em Brasília pode se transformar em uma ocupação da cidade que precipite todo esse processo. Os trabalhadores e o povo pobre desse país querem ocupar Brasília, invadir o Congresso e o Palácio do Planalto e expulsar esses pilantras. A mobilização do dia 24 pode expressar essa indignação e ser qualitativa para a derrubada de Temer. Existem caravanas se organizando em todo o país para ir a Brasília.

É necessária a mais ampla unidade de ação para ir às ruas, chamar a Greve Geral, ocupar Brasília. Mas os ativistas de todo o país também devem refletir politicamente e pensar nas estratégias.

Nesses dias se enfrentam duas políticas diferentes. Mesmo no marco da unidade de ação, é preciso debater essas estratégias.

De um lado estão aqueles aferrados aos governos petistas e ao bloco lulista de hoje. Esses defenderam o governo Dilma, disseram que as denúncias de corrupção e a sua derrubada foram um “golpe” que expressava uma “onda reacionária”, um giro à direita na realidade política. Esse bloco viu com enormes reservas até mesmo a prisão de Cabral e Cunha, como “manobras” para chegar até a prisão de Lula. Deixaram de defender uma palavra de ordem simples, que sempre foi patrimônio da esquerda, de “prisão e expropriação dos bens de todos os corruptos e corruptores”. E isso, por um simples motivo: defendiam o governo burguês e corrupto de Dilma Roussef, defendem Lula que se transformou em corrupto e amigo de grandes burgueses.

Esse bloco agora não tem como explicar a crise e as denúncias contra Temer e Aécio, vindas das mesmas fontes que atacaram Dilma e Lula. Não tem como explicar que pode ter de defender o “impeachment” de Temer. Como a coerência não importa, o máximo que os defensores desse bloco falam é “mudança da conjuntura” ou “golpe dentro do golpe”.

Por trás de toda essa absurda incoerência existe uma estratégia eleitoral. Em essência, eles defendem uma saída eleitoral. Basta defender “Lula 2018” ou “Chico Alencar 2018” e tudo estará resolvido. Virá depois um novo governo do PT para fazer as mesmas reformas de Dilma e de Temer. Ou ainda um governo do PSOL para fazer o mesmo que fez Syriza na Grécia, ou seja, o mesmo do PT. Esse bloco do PT, PSOL apenas refaz a mesma história já percorrida pelo PT.

De outro lado estão aqueles que, como os militantes do PSTU, defenderam Fora Dilma, Fora Temer, Fora Todos. Estão aqueles que não apoiaram o governo burguês e corrupto de Dilma. Os que diziam que o impeachment não era solução porque a alternativa seria colocar Temer pela via indireta, trocar seis por meia dúzia. Mas que estavam a favor de sua derrubada pelo movimento de massas. Os que não se aliaram a nenhum dos dois blocos burgueses e corruptos do PT ou do PMDB-PSDB. Os que diziam que Temer era um governo fraco que podia ser derrubado e foram os primeiros a defender uma Greve Geral para isso. E polemizaram com a esquerda reformista e centrista que afirmava que uma greve geral no Brasil era impossível porque existia uma “onda reacionária”. Estão aqueles que foram vanguarda na organização da Greve Geral de 28 de abril, a maior de nossa história, desmentindo na prática os que diziam que era “impossível”. E que agora seguem defendendo “prisão e expropriação dos bens de todos os corruptos” sejam eles Aécio, Temer ou Lula.

Não defendemos a justiça burguesa, não nos encantamos com Moro e companhia. Mesmo o caso da Odebrecht mostra que para a justiça burguesa o crime compensa. A Odebrecht vai pagar de multa 10% do que roubou, e Marcelo Odebrecht vai cumprir a pena em sua casa que é um castelo, curtindo a fortuna que roubou do país.

Mas nós não fazemos a ginástica vergonhosa de repudiar veemente as delações premiadas que atacam Lula e aplaudir as que atacam Temer e Aécio. Nós estamos contra todos os corruptos, não defendemos os “corruptos da esquerda”.

E não achamos que elegendo Lula ou Chico Alencar vamos resolver os problemas do país. Porque as eleições são controladas pela burguesia, como a trágica história do PT demonstrou.

Nós apostamos na mobilização de massas, na organização dos comitês pela base, na Greve Geral para ir construindo outro poder, uma outra estratégia. Queremos que a derrubada de Temer se dê pela mobilização das massas, dos atos desse fim de semana, da ocupação de Brasília. Por isso queremos a mais ampla unidade de ação. Mas também queremos debater as estratégias políticas.