Mancha: “Precisamos de uma greve geral que pare esse país contra as reformas”

“É preciso construir comitês de luta contra a reforma da Previdência nos estados”

O Opinião Socialista conversou com Luiz Carlos Prates, o Mancha, da CSP-Conlutas. Mancha deu um panorama da luta contra as reformas, em especial a da Previdência, e as principais tarefas colocadas neste momento para derrotar esse projeto do governo.

O que é preciso fazer para derrotar essas reformas?
Mancha – As reformas que o governo está tentando impor são um profundo ataque aos direitos, vão marcar uma geração inteira de trabalhadores com esse processo de precarização, e é necessário que haja uma greve geral no país. Essa reforma não pode ser enfrentada de forma isolada, com manifestação de uma ou de outra categoria. Precisa de um movimento unificado, uma paralisação de toda a produção, para impor ao governo Temer uma derrota. É possível derrotar essas reformas e, por essa via, derrotar o governo Temer. Apesar de ele ter uma base parlamentar, é muito frágil. Ele é repudiado pelos trabalhadores e pela população. Mas é preciso muita força do nosso lado.

O que está sendo feito nesse sentido?
Já houve vários movimentos no final do ano passado, com alguns dias de paralisação nacional, mas que demonstraram que não são suficientes para enfrentar e derrotar as reformas. Tampouco para unificar os trabalhadores. E disposição para isso, do lado dos trabalhadores, nós entendemos que existe, existe muita vontade. É preciso que as direções convoquem de forma firme uma greve geral. Durante o início desse ano, teve algumas reuniões com as centrais, as confederações, reuniões entre diversas categorias. Um passo positivo foi a definição de um dia nacional de paralisações no final de março, na segunda quinzena do mês. Foi um passo positivo, mas é preciso que se concretize mesmo, que haja uma forte paralisação que caminhe para uma greve geral.

O que cada um pode fazer para lutar contra as reformas?
É preciso que se faça assembleias em todos os estados, que se consulte as categorias. Que se monte comitês de luta na base, nas empresas, nos sindicatos, nos bairros, nas cidades contra a reforma da Previdência, o desemprego e qualquer retirada de direitos, juntando todo mundo que quer lutar contra isso. Um movimento amplo que abarque todo mundo que se dispõe a lutar. Ou seja, uma forte campanha na base, em todo o país, para se contrapor à campanha do governo de que essa reforma é necessária, unificando os trabalhadores, os setores populares, a juventude, as centrais, porque esses ataques vão atingir todo mundo. Então, é importante conversar e organizar comitês de luta, nos locais de trabalho, nas escolas, entre os desempregados, nos bairros, ir também ao seu sindicato, cobrar que se faça uma assembleia para discutir o tema e para cobrar da sua central sindical que se convoque uma greve geral. Também cercar os deputados, cada um em sua região ou cidade, cobrar uma posição firme contra as reformas. Dizer: “Olha, se votar contra os trabalhadores depois somos nós que vamos votar e vamos limar todo mundo que for contra nós”.

As direções de centrais como Força Sindical, UGT e USB estão falando em negociar as reformas. Como a CSPConlutas vê isso?
As centrais não podem ter essa posição vacilante de querer negociar algum aspecto dessa reforma. As reformas têm um conjunto, e esse conjunto é um profundo ataque aos trabalhadores. O que nós temos que fazer é derrotar por completo. Por exemplo, algumas centrais dizem que tem de tirar a urgência das reformas. Isso é muito pouco, não tem de retirar a urgência. Tem de se exigir que se retire esse projeto, aliás, como já é posição de diversas entidades, sindicatos, entidades de base, confederações. Nós vamos negociar com esse governo e esse Congresso Nacional que a maior parte recebe o “bolsa Odebrecht”? Todo esse povo que devia estar na cadeia? Não temos que negociar e sim lutar para derrotar a reforma e o governo. É importante uma campanha forte na base para garantir que a luta saia, não pare até derrotar o governo e não permitir que se negocie em nome da base o que a base não tiver decidido.

Publicado no Opinião Socialista nº 530