Editorial: Lula não fala em nosso nome!

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As centrais sindicais, de maneira unitária, convocaram o 15 de março como um dia de paralisações e manifestações contra as reformas da Previdência e trabalhista.

Foi um dia fortíssimo e evidenciou que a base está pronta para uma greve geral, diferentemente do que diziam as cúpulas das centrais. Outra questão que ficou muito evidente foi a disposição de luta e a indignação com as reformas, o governo, o Congresso e os corruptos.

A maioria dos presentes não era controlada pelas direções. Nisso lembravam as manifestações de junho de 2013. Ao mesmo tempo, eram diferentes em função da sua composição social. O 15 de março foi composto eminentemente pela classe trabalhadora e setores populares.

A participação de Lula no ato de São Paulo foi polêmica. Dar a Lula o fechamento do ato não fortalece a luta. Tentar transformar uma ação unitária contra as reformas em palanque para a eleição de 2018 enfraquece e divide. Hoje, 90% estão contra Temer e as reformas e a favor de uma greve geral. Porém mais de 50% não apoiam “Lula 2018”, muito menos “volta, Dilma”.

Uma manifestação como a do dia 15 na Avenida Paulista deveria ser coordenada pelos mesmos que convocaram as paralisações e manifestações, ou seja, o comando unitário das centrais. A Frente Povo Sem Medo, entretanto, de maneira divisionista e oportunista (com apoio do PT e da CUT) tentou transformar o protesto num ato da Frente Ampla, colocando a defesa de Lula e do PT acima da ação unitária. É necessária a mais ampla unidade para fazer a greve geral e derrotar as reformas, mas isso não passa por atos em prol de Lula 2018.

Numa manifestação unitária, todos os partidos que a apoiem devem ter o direito à palavra. Portanto, o PT decide quem quiser para falar em seu nome. Assim como a palavra deva ser assegurada ao Solidariedade de Paulinho da Força e outros que eventualmente estejam contra a reforma da Previdência e pela greve geral.

Os motivos do ato devem ser muito claros. Deve ser assegurada a participação de todos que queiram derrotar as reformas. Por isso, não deve ser Lula a fechar ato nenhum. Se falar, deve falar como qualquer outro. Deve ser muito claro que o ato não é seu, nem em sua defesa.

A greve geral é possível e necessária, e a unidade de ação em torno dela é em base à luta para derrubar as reformas.

Defendemos “Fora Temer e fora todos eles!”. Não defendemos que a alternativa seja voltar a ter um governo Lula ou um governo do PSDB que vão continuar governando em primeiro lugar para os ricos.

Defendemos derrubar os de cima para que os de baixo governem em Conselhos Populares e garantam pleno emprego, acabando com o privilégio de banqueiros, multinacionais e corruptos.