Redação

No dia em que o golpe militar de 1964, que instaurou uma ditadura sangrenta no país nos 20 anos seguintes, completou 56 anos, integrantes do governo Bolsonaro foram a público exaltar os anos de chumbo.

Há 56 anos, as FA intervieram na política nacional para enfrentar a desordem, subversão e corrupção que abalaavam as instituições e assustavam a população“, escreveu nas redes sociais o vice-presidente, General Hamiltou Mourão. “Com a eleição do General Castello Branco, iniciaram-se as reformas que desenvolveram o Brasil“, completou de forma cínica, como se o ditador houvesse sido “eleito”.

No mesmo caminho foi o ministro da Defesa, General Fernando Azevedo e Silva, que publicou uma “ordem do dia” em que exalta o golpe, afirmando que “o movimento de 1964 é um marco para a democracia brasileira. Muito mais pelo que evitou“, recorrendo ao mito da “ameaça comunista”. A reconstrução da história por parte do ministro militar não ficou por aí. “Aquele foi um período em que o Brasil estava pronto para transformar em prosperidade o seu potencial de riquezas. Faltava a inspiração e um sentido de futuro. Esse caminho foi indicado. Os brasileiros escolheram. Entregaram-se à construção do seu País e passaram a aproveitar as oportunidades que eles mesmos criavam. O Brasil cresceu até alcançar a posição de oitava economia do mundo.”, afirma o texto divulgado por Azevedo.

Em plena pandemia de coronavírus que mergulha o Brasil numa crise sem precedentes, o governo Bolsonaro reafirma seu apoio e admiração ao golpe e à ditadura militar que perseguiu, prendeu e assassinou opositores políticos. E faz isso, como não poderia deixar de ser, recorrendo à mais absurda reconstrução da história, tentando reerguer mitos como o que a ditadura combateu a corrupção, nos livrou da “ameaça comunista” e trouxe desenvolvimento econômico.

A verdade é que a ditadura militar aprofundou a dependência do Brasil ao imperialismo e ao capital internacional, aumentou ainda mais a desigualdade social e foi tão ou mais corrupta que os governos anteriores ou subsequentes. A ditadura criou figuras políticas odiáveis como Paulo Maluf, Delfim Neto, e foi responsável pelo crescimento vertiginoso das grandes empreiteiras cujos modus operandi ficamos conhecendo tão bem recentemente. A diferença é que, na ditadura, a imprensa era censurada e ninguém ficava sabendo disso.

Maluf, cria da ditadura

A ditadura militar reprimiu o movimento operário, perseguiu dirigentes políticos, prendeu, torturou e assassinou opositores, tudo para garantir os lucros das grandes empresas, como as multinacionais automobilísticas que apoiaram ativamente o regime, os bancos e os EUA.

Se Bolsonaro faz questão de elogiar a ditadura, a tortura e seu ídolo, o facínora Brilhante Ustra, Mourão não fica atrás. Em que pese as diferenças nos discursos entre os dois, ambos já provaram e reafirmaram seu apreço pela ditadura. As manifestações convocadas por Bolsonaro no dia 15 de março não escondiam tinham como objetivo criar as condições para um novo golpe e uma ditadura no país.

É preciso repudiar fortemente esse discurso, assim como qualquer ataque às liberdades democráticas. Não podemos normalizar elogio à ditadura, a torturador e a golpes militares. Não vamos aceitar! Nesta terça -feira, às 20h30, vamos mostrar nosso repúdio à ditadura e a esse governo genocida! Fora Bolsonaro e Mourão!

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