Foto: Romerito Pontes

Vivemos uma crise de proporções inéditas no país. À crise capitalista se juntou a pandemia e, agora, a pancada do aumento dos combustíveis e do gás de cozinha vai piorar ainda mais as nossas vidas. Estamos numa situação em que mais da metade da força de trabalho não tem emprego, metade da população sobrevive com algum tipo de restrição alimentar e a inflação vai explodir, atingindo principalmente os alimentos e, portanto, as famílias mais pobres.

O desemprego joga milhões na miséria e outros milhões no trabalho precário, os empregos “uberizados” de superexploração e sem qualquer tipo de direito. Para a juventude trabalhadora, não há qualquer perspectiva de um futuro melhor, apenas a luta pela sobrevivência num serviço precarizado.

As cenas de barbárie são cada vez mais frequentes, refletindo um país e uma sociedade em retrocesso e desagregação. As cenas do brutal assassinato do congolês Moïse Kabagambe se repetem diariamente nas periferias contra o povo pobre e preto. Famílias em busca de restos de alimentos já se tornaram parte da paisagem dos grandes centros urbanos.

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Sábado, 19, participe da plenária-live de lançamento da pré-candidatura de Vera à Presidência

Enfrentar os super-ricos

Para enfrentar o desemprego, a superexploração e o trabalho precário é preciso revogar de verdade a reforma trabalhista. Ela não só não gerou os prometidos 6 milhões de empregos, como causou ainda mais desemprego e avançou na precarização. É preciso garantir plenos direitos e salários justos aos trabalhadores de aplicativos, além de acabar com a lei das terceirizações, essa manobra para explorar ainda mais o trabalhador e rebaixar ainda mais os salários e direitos.

É preciso ainda revogar a reforma da Previdência, pois, além de confiscar parte das já miseráveis aposentadorias, ela obriga o trabalhador a permanecer por ainda mais tempo no mercado, ocupando um posto de trabalho aos que estão chegando e ampliando o desemprego.

Agora, para resolver mesmo o desemprego, é necessário reduzir a jornada de trabalho para 36 horas semanais, sem redução dos salários, abrindo novos turnos e absorvendo os homens e mulheres que estão sem serviço. Pôr em prática um plano de obras públicas que, a um só tempo, garanta emprego e ataque problemas estruturais como moradia e saneamento básico.

Para fazer isso, só há um jeito: enfrentar os super-ricos, os bilionários, os banqueiros e os grandes empresários. Tem que tomar de volta a Petrobras das garras dos grandes acionistas e colocá-la sob controle dos trabalhadores, para que atue de acordo com as necessidades da população, e não para o lucro de um punhado de bilionários que ganham com a nossa fome e miséria. Da mesma forma, reestatizar tudo o que foi entregue, como a Vale, sob controle dos trabalhadores.

É preciso parar de pagar a dívida aos banqueiros para que se invista em saúde, educação, moradia, saneamento e demais serviços públicos. Acabar com as isenções e subsídios bilionários às grandes empresas e, ao contrário, apoiar o micro e pequeno negócio.

O Brasil precisa de uma revolução social

É preciso uma mudança radical neste país, que vire de cabeça para baixo essa lógica em que o nosso trabalho se transforma em lucros para um punhado de banqueiros lá fora. Temos que botar a economia para funcionar de acordo com as nossas necessidades. Para isso, é preciso avançar na mobilização e organização da nossa classe para a construção de um projeto nosso, socialista.

Para avançar nesse projeto, é preciso fortalecer a consciência e a independência de classe. É a serviço desse projeto que os revolucionários disputam as eleições. O contrário do que fazem hoje o PT e o PSOL. Lula se alia a Alckmin e ao centrão, atrela-se a uma federação partidária com partidos burgueses e aposta num projeto de governo de unidade nacional junto com grandes empresários, banqueiros e o agronegócio. Já o PSOL vai a reboque do PT e também parte para uma federação com siglas burguesas como a Rede.

Desse jeito, mesmo que Lula/Alckmin vençam eleitoralmente Bolsonaro, além de não resolverem os problemas mais sentidos pela classe, não vão derrotar de fato o bolsonarismo e a ultradireita. Como já vimos antes, lá em 2018, a desmoralização pode ser o maior impulsionador da ultradireita.

Uma pré-candidatura a serviço de um projeto socialista

Temos que fazer o contrário do que fez o PT em seus 13 anos de governo, quando jogou contra a consciência de classe, convencendo os trabalhadores que os patrões são seus aliados e que as eleições são o caminho, não a luta. Temos que fortalecer a independência de classe, a organização dos trabalhadores e um projeto socialista e revolucionário.

Esse é o sentido da candidatura Vera à Presidência. Disputar a mente e os corações da classe trabalhadora, da juventude e do povo pobre na defesa de um projeto socialista, pois é o único caminho tanto para derrotarmos a ultradireita como para melhorar de fato a vida da nossa classe. Vera é operária, negra e mulher, que conhece muito bem e enfrenta toda a exploração e opressão nessa sociedade. Mas, sobretudo, é porta-voz de um projeto socialista e revolucionário, que diz aos trabalhadores que a saída é a própria classe lutar, se organizar e tomar o poder em suas mãos.