Em 6 de agosto de 1937, nascia na cidade de Varre-Sai (RJ) o instrumentista e compositor Baden Powell de Aquino, um dos maiores violonistas de todos os tempos. O nome um pouco incomum foi uma homenagem de seu pai, sapateiro e músico amador, ao fundador do escotismo. Criado no bairro carioca de São Cristóvão, Baden gostava de brincar às escondidas com o violino do pai e com o violão da tia.

Na casa da família Aquino eram frequentes as rodas musicais, frequentadas por Pixinguinha, João da Baiana, Donga, dentre outros bambas. Ainda no século XIX, o avô paterno de Baden foi maestro e fundou a Orchestra Negra, formada por escravos, que chegou a se apresentar no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Baden começou a tocar violão muito precocemente, ainda na infância. Aos 10 anos, participou e obteve o primeiro lugar em um concurso de calouros da Rádio Nacional na categoria solista com a música Magoado, de Dilermando Reis. Aos 11, acompanhou o grande sambista Cyro Monteiro em uma apresentação. Aos 13, inscreveu-se na Escola Nacional de Música do Rio de Janeiro. E, aos 15 anos, inicia a vida de músico profissional tocando nas noites cariocas. Foi discípulo de Jayme Florence, o famoso Meira, que lhe introduziu tanto no violão erudito como no popular (Meira tocou com grandes artistas, como Noel Rosa e também foi professor de Rafael Rabello).

Ao lado de Milton Banana na bateria e Ed Lincoln no contrabaixo, Baden formou seu primeiro conjunto musical. Em 1956, compôs o clássico Samba Triste com Billy Blanco. O primeiro sucesso dentre muitos que viriam.

Baden Powel e Vinicius de Moraes

Aos 23 anos, Baden conhece o poeta Vinicius de Moraes e juntos criam uma série de canções, tais como Samba em Prelúdio, Formosa, Tempo Feliz, Labareda, Pra que chorar? e Deixa. Em 1966, gravam juntos o LP Afro-sambas, com regência de Guerra Peixe e participação do Quarteto em Cy, que reúne clássicos imortais como: Canto de Ossanha, Canto de Xangô, Bocochê, Tempo de Amor, Lamento de Exu, Tristeza e Solidão entre outros. Da parceria com o Poetinha, também há sambas memoráveis anteriores que não constam no épico disco, como Samba da Benção, Consolação e Berimbau. Para Vinicius, o disco Afros-sambas realizou um novo sincretismo, dando uma dimensão mais universal ao candomblé afro-brasileiro.

Outro grande parceiro foi Paulo César Pinheiro, um dos maiores letristas da música popular brasileira. O primeiro samba composto pela dupla foi a premiada Lapinha. A frutífera parceria entre Paulo César e Baden rendeu mais de cem canções, dentre elas Aviso aos Navegantes, Vou Deitar e Rolar e Violão Vadio.

A obra de Baden alcançou diversos artistas consagrados, como Elis Regina, Elizeth Cardoso, Nara Leão, Dorival Caymmi, Carlos Lyra, João Gilberto, Tom Jobim e Michel Legrand.

O gênio do violão de seis cordas

Baden teve importante carreira internacional, notadamente na França e Alemanha. No final dos anos 1970, tocou pela primeira vez no Japão, ao lado de Thelonious Monk.

Em seu vasto repertório musical, Baden passeava livremente entre o clássico, o choro, o jazz, a bossa nova, o samba e a mpb. O violonista gravou mais de 70 discos, deixou um legado fundamental na história da música e uma marca própria, criativa e inquieta.

Baden Powell faleceu muito cedo, aos 63 anos. Mas sua obra permanece viva e inconfundível. Um gênio da raça! Saravá, Baden!

 

Para ouvir

LP Afro-sambas 

Para ver

Documentário Saravah 

Releia no site

A benção, Baden