Gabi Vasconcelos e Pedro H. Ferreira, das Secretarias LGBTI do PSTU de São Paulo e Rio de Janeiro

Em 28 de junho de 1969, centenas de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersexos (LGBTIs), nos Estados Unidos, reagiram à opressão e à repressão que sofriam cotidianamente. A Revolta iniciada no Bar Stonewall tomou as ruas do Village, o bairro boêmio de Nova York, na luta contra a LGBTIfobia, a violência policial e a marginalização, que ainda estão presentes nas nossas vidas. Com essa luta histórica, nasceu o mês do orgulho LGBTI.

Apesar de já terem se passado 52 anos desde a Revolta de Stonewall, Bolsonaro tem atacado as LGBTIs desde que chegou ao poder, apoiado em um discurso machista, racista e LGBTIfóbico. Na pandemia, este governo genocida não garantiu a proteção dos trabalhadores contra o vírus e nada fez contra os efeitos da crise econômica e social que atinge particularmente os setores mais oprimidos da classe trabalhadora.

A revolta de Stonewall fotografa em 1969

Em defesa da vida: contra a morte pelo vírus ou pelo ódio

As LGBTIs jovens e trabalhadoras estão dentre as maiores vítimas do desemprego, da carestia e da violência policial. Sofrem com o distanciamento das suas redes de apoio e o aumento de doenças mentais e psicológicas; além do risco permanente de morte, seja pelo vírus, pela fome ou pelos crimes de ódio. Ainda mais quando são periféricas ou negras e negros

Bolsonaro, os governadores e prefeitos são os responsáveis por tudo isso, pois deixam os trabalhadores e trabalhadoras expostos ao vírus e à miséria, para proteger empresários e banqueiros, que seguiram lucrando (e cada vez mais) com a desgraça de nossa classe, mesmo durante a pandemia.

Esse tem sido o papel dos governos no mundo todo, e por isso os trabalhadores reagem, lutando por suas vidas: há manifestações no Brasil, pelo “Fora Bolsonaro”; na Colômbia, contra a retirada de direitos; no Chile, uma revolução que derrubou a constituição dos tempos de ditadura, continua agitando o país; em Myamar (Burma), o povo continua mobilizado contra a ditadura que tomou o país; nos EUA, seguem em luta contra o racismo e, na Polônia, contra a criminalização das LGBTIs.

Em todas essas lutas as LGBTIs também têm estado na linha de frente, mostrando a indignação contra os governos e a perversa “lógica” capitalista, na qual o lucro está acima das nossas vidas.

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O mês do orgulho LGBTI não é o momento para apenas “celebrar”, mas deveria ser um impulso para trazer mais LGBTIs para a luta contra a marginalização e contra o capitalismo. Stonewall mostrou o caminho: uma batida policial em um bar LGBTI se transformou em um combate nas ruas, com barricadas, enfrentando a polícia e ganhando apoio da população e de outros setores organizados.

Essa luta levou as LGBTIs a se organizarem para se defender e lutar por seus direitos e suas vidas. Foi um importante marco histórico, a partir do qual surgiram as Paradas do Orgulho LGBTI em todo mundo.

No entanto, o caráter de luta das paradas se perdeu. As Paradas transformaram o mês do Orgulho LGBTI numa festa despolitizada e abandonaram a perspectiva combativa e o cárater da revolta que explodiu em Stonewall. A Parada de São Paulo, considerada a maior do mundo, escolheu, este ano, o tema “Ame + Cuide + Viva +”, mesmo diante do genocídio e do aprofundamento da crise social, sequer denunciando a política genocida de Bolsonaro ou chamando as LGBTIs para a luta.

Esse afastamento político das Paradas é resultado do alinhamento da sua direção com teorias e práticas defendidas pelas correntes reformistas e pós-modernas, como o “empoderamento individual” e a “libertação pelo mercado”, quando não em parcerias diretas com a burguesia.

Exemplos disto são as alianças com os grandes empresários do “mercado Pink”, as empresas que diariamente exploram e se aproveitam da LGBTIfobia para lucrar mais, mas que se utilizam do evento como uma estratégia de marketing, financiando-o em troca de que os temas políticos não sejam tratados.

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Diante da pandemia e desse governo genocida é urgente levar para as ruas nossas bandeiras ao lado dos trabalhadores. Por isso, chamamos as LGBTIs (que não são de grupos de risco ou que, mesmo sendo, já tomaram as duas doses da vacina) a participar dos atos de 19 de junho.

Não podemos esperar as eleições de 2022 para tirar Bolsonaro “nas urnas”, como defendem Lula, o PT e setores do PSOL. Esperar até lá custará a vida de milhares! Precisamos botar Bolsonaro pra fora, já! E, como nos ensinou Stonewall, unidos e na luta direta temos forças para isso!

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