Contra a morte de nove jovens em Paraisópolis (SP) pelas mãos da polícia periferia marcha e exige justiça

Foto PSTU da Sul

CSP-Conlutas

Neste sábado (14), as ruas de Paraisópolis (SP) foram tomadas de indignação durante protesto contra as mortes de nove jovens, pelas mãos da polícia, no início do mês.

Convocado por movimentos sociais, o ato contou com o apoio e participação de coletivos da comunidade, além da presença de entidades do movimento sindical, popular, estudantil, partidos políticos e moradores, que exigiram o fim do genocídio de jovens na periferia. A CSP-Conlutas esteve presente com seus ativistas e movimentos filiados como Luta Popular, Movimento Mulheres em Luta, entre outros.

Com concentração em frente a Casas Bahia, na rua Enerst Renan, umas das principais vias do bairro, o esquenta para o ato ficou por conta do Rapper Gog que fez questão de comparecer para fortalecer à luta e denunciar as mortes daqueles nove jovens que abalou não apenas a comunidade, mas ganhou repúdio nacional.

Outras representações do rap da comunidade e regiões periféricas de São Paulo também se apresentaram,  antes da manifestação começar.

Após o show, o ato foi iniciado, e chamou atenção do comércio e dos passantes. Cantando em coro o rap que virou um hino de resistência na periferia: “eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci, e poder me orgulhar e ter a consciência que o pobre tem seu lugar”, a marcha seguiu pelas ruas apertadas de Paraisopolis.

Uma moradora que vive há 11 anos na comunidade observava o ato passar e falou de sua revolta com as mortes daqueles jovens e da importância daquela ação. “Tem que fazer isso todos os dias. Não é só aqui, tem que ir à casa do presidente, no palácio do governo, e tocar fogo nos dois. Eu sou nordestina, eu tenho filho, um adolescente, como foi esses, poderia ser o meu, eu não concordo com o que aconteceu”, disse, com o pedido de não ser identificada, por medo da retaliação da polícia.

Após o desabafo, ela decidiu integrar a manifestação e seguiu até o final do ato. Durante todo o percurso pelas ruas de Paraisópolis, representações de movimentos e coletivos do bairro e também de outras regiões fizeram falas com a exigência de justiça.

Representando a CSP-Conlutas Paulo Dozinete disse que a chacina em Paraisópolis é a regra, não a exceção, sobretudo, para o povo negro e povo do país. “Paraisópolis tem que se transformar a partir desse ato em um grande quilombo de resistência e de luta”, destacou.

A integrante do Luta Popular, da ocupação dos Queixadas, Aline, também se manifestou contrária às mortes daqueles jovens. “A gente vê, aqui no lado, o Morumbi. Será que em uma rave esses desgraçados fazem o que fizeram aqui em Paraisópolis? Esses assassinos de farda mataram nove jovens e eu tenho uma indignação profunda”, desabafou.

O ato percorreu as ruas da comunidade por cerca de 1h30 e foi finalizado onde ocorre baile da 17, local em que os jovens foram perseguidos e encurralados pelo polícia.

O integrante do Quilombo Urbano Hertz Dias, fez uma fala final para dizer que muitas pessoas da comunidade tinham vontade de falar e de participar daquele ato, mas tinham medo da exposição. “A gente fala que os pretos têm que tem lugar de fala, a mulher tem que ter o lugar da fala, os favelados tem que ter o lugar da fala, tem um monte de pessoas aqui da quebrada que estavam querendo falar e não podem falar, não podem falar porque daqui a pouco a gente sai e eles ficam”, ressaltou.

Irene Maestro, do Luta Popular, umas das pessoas que organizou o ato reforçou que as entidades presentes naquela ação estavam ali para reforçar a solidariedade aos moradores de Paraisópolis. “Essa manifestação não pode acabar aqui, nossa solidariedade não pode ser apenas nessa manifestação, ela tem que ser todos os dias nas quebradas onde cada um de nós está. Governador Dória falou que a política de segurança vai continuar a mesma, Bolsonaro não falou nada sobre o que aconteceu, e a polícia fala que a abordagem tem que ser diferente na periferia e no bairro, para eles está bom como está, mas para gente não dá mais para aguentar a matança no nosso povo”, concluiu.

Ao final do ato, foram citados os nomes de todos os jovens que mortos pelas mãos da polícia, com um uníssono: presente!