Tropas do Exército se deslocam para o Ceará Foto Exército brasileiro

PSTU-CE

A greve da Polícia Militar do estado do Ceará polarizou o país nos últimos dias. A cena, rocambolesca para uns, heroicas para outros, de Cid Gomes metendo uma escavadeira contra um piquete dos grevistas e seus familiares (mulheres e crianças desarmadas inclusive) viralizou nas redes sociais.

Imediatamente surgiu o debate entre os que apoiam ou não esta greve, sobre sua legitimidade, sua legalidade, sobre a oportunidade de se fazer uma greve da PM nesta conjuntura (mesmo que legítima e legal), sobre o caráter politico do movimento e de sua direção e finalmente, sobre o papel do bolsonarismo neste movimento.

Sem querer aqui retomar todos estes temas, que já foram tratados em outros textos (leia mais aqui e aqui), queremos apenas reafirmar que vemos a greve da PM do Ceará como legítima; que esta greve é considerada ilegal graças a um resquício da ditadura que proíbe a PM de ter sindicatos e fazer greves; que na atual conjuntura não apenas está correto que a PM faça greve, mas inclusive exige isso como parte da luta dos direitos democráticos para a tropa; que vemos este movimento como progressivo, em que pese a sua direção; e que não vemos nenhuma vinculação imediata ou mecânica entre o movimento e o bolsonarismo ou as milícias.

Desde diversas posições, muitas organizações e militantes consideraram um ou mais ponto de forma diferente da nossa. Por exemplo, algumas organizações, como o MRT, consideram por princípio errado apoiar as greves de PMs, o Resistência abriu uma “dúvida” sobre apoiar esta greve nesta conjuntura e com o que eles consideram um avanço na milicianização das PMs, o PCB soltou uma longa nota contra os PMs em greve, etc.

Até aqui um debate político importante, com os exageros que as redes sociais proporcionam no atual momento. Mas há um fato novo (não tão novo, já são cinco dias) que exige uma resposta categórica.

Camilo Santana pede e recebe ajuda de Bolsonaro para reprimir a greve

Logo depois do tiroteio em Sobral, que levou ao ferimento de Cid Gomes, o governador Camilo Santana, do PT, pediu primeiro ajuda ao ministro Sérgio Moro para que este enviasse a Força Nacional para o Ceará, e em seguida negociou com o próprio Bolsonaro o envio do Exército e a aplicação da GLO (Garantia da Lei e da Ordem) no estado. Ou seja, negociou uma intervenção federal na segurança pública do estado.

Apesar da intervenção ser uma consequência da greve de PMs, ela é um fato em separado, que tem que ser analisado como tal.

Independentemente da justeza da greve, a aplicação da GLO, uma lei claramente antidemocrática, e o apoio expressivo que deu o próprio Camilo Santana à intervenção, a ponto de agradecer Bolsonaro, não apenas deixa claro que o movimento grevista não é bolsonarista nem miliciano, mas ao contrário, que está sendo combatido por Bolsonaro.

Neste momento se formou uma frente única entre o Governo Camilo Santana, a família Gomes, Bolsonaro, Moro, o Exército, a Força Nacional e a cúpula da PM para atar os grevistas e impor uma intervenção no estado do Ceará.

Nós do PSTU rechaçamos esta intervenção, a denunciamos como um instrumento antidemocrático e bonapartista, que no caso concreto visa atacar uma greve que consideramos justa, mas que serve como instrumento para atacar qualquer mobilização da classe trabalhadora.

Rechaçamos ainda mais veementemente o fato de que o PT e Camilo Santana, que tem como política agitar um golpe que teriam sofrido, se junte justamente ao que seria o centro do golpismo para combater uma greve, que por sua dinâmica ia contra o bolsonarismo.

Por fim, chamamos a todas as organizações do movimento social, sindical, de Direitos Humanos, e especialmente aquelas que se dizem revolucionárias a rechaçar a política de Camilo Santana/Bolsonaro/Moro de intervenção militar no Ceará.