Rejane de Oliveira, professora do Rio Grande do Sul (membro da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas)

Antes de mais nada, quero comunicar aos meus companheiros de luta, à classe trabalhadora e aos setores oprimidos e populares, que minha filiação ao PSTU é militante e orgânica.

Essa decisão tem a ver com o momento crítico que vivemos, e minha convicção da importância de defender um projeto socialista e revolucionário, para que nós da classe trabalhadora possamos avançar.

Na pandemia perdemos vidas, empregos, saúde, educação, salários e direitos. Mas um punhado de bilionários ficou ainda mais rico. Vivemos uma crise econômica, sanitária e ambiental de grandes proporções; consequência de um sistema voltado para o lucro, que cada dia produz mais destruição, desemprego e barbárie. A extrema direita que Bolsonaro expressa é o retrato e produto mais horroroso desse sistema e dessa barbárie.  E não nasceu do nada. Assim como não existe raio em céu azul; Bolsonaro é produto de anos e anos de entrega e pilhagem do país; de aumento da exploração e retirada sucessiva de direitos da classe trabalhadora, criminalização de suas lutas e precarização do trabalho.

Precisamos de unidade na luta para derrotar Bolsonaro, mas precisamos também derrotar toda essa situação que o cria. O abandono da independência da classe trabalhadora, dos seus objetivos históricos e inclusive o rebaixamento de suas demandas imediatas em “negociações” “parceiras” com a classe dominante e seus governos nas três esferas, nos trouxe até aqui.

Pois bem, do meu ponto de vista, nós precisamos construir ou reconstruir um caminho que nos conduza à transformação social que a classe trabalhadora e 99% da população do Brasil e do Rio Grande precisam. Não podemos seguir assistindo a cooptação para os projetos da classe dominante de lideranças e organizações que nasceram a partir das lutas da classe, mas abraçaram projetos eleitoreiros, abandonando os objetivos históricos da classe trabalhadora e, como consequência, na maioria das vezes também os imediatos.

Quando Alckmin é apresentado aos trabalhadores como aliado, sendo da mesma cepa que Eduardo Leite; quando partidos inteiros aceitam reformas que sufocam partidos ideológicos e depois sucumbem a federações que mudam até sua composição de classe; não fazer uma disputa estratégica significaria omissão e um grave erro. Porque, esse caminho de adaptação desorganiza a classe trabalhadora, desconstrói a consciência de classe, nos afasta da transformação social necessária e possível que almejamos.

Filio-me ao PSTU, então, por ter acordo com o programa que ele defende e pela coerência com que o defende, ou seja, pela sua prática, com a qual convivo na luta conjunta com a sua militância aqui no estado e no país.

O PSTU tem cumprido a tarefa de organizar as lutas da classe trabalhadora. Ter um partido que é parte das lutas nas ruas mostra que cumpre uma tarefa além das eleições, mostra que tem lado na luta de classes. O lado da classe trabalhadora.

É expressão de coragem e ousadia também, o PSTU se colocar ao serviço do chamado a um Polo Socialista e Revolucionário, em que o ativismo de luta desse país possa se organizar e defender um projeto socialista,  enquanto a maioria da esquerda embarca em projetos eleitoreiros e federações policlassistas, em torno de programas nos limites da ordem defendida pelos super-ricos. Essa coragem e ousadia se expressa também na apresentação da pré-candidatura à presidência da Vera, uma operária, mulher e negra para ser uma voz em defesa de uma alternativa socialista.

Há necessidade de por para Fora Bolsonaro, um genocida e golpista que põe a própria vida e liberdades em risco. Mas a tarefa de derrubá-lo através da mobilização da classe trabalhadora não foi colocada pelos dirigentes das principais centrais sindicais e partidos.

Os problemas que enfrentamos persistirão sem a mobilização dos de baixo, dos explorados, contra a pequena minoria que se beneficia da exploração e da corrupção (que tem tido seus interesses preservados por todos os governos, mesmo os que, se dizendo de esquerda, tinham a obrigação de enfrentá-los).

O PSTU propõe uma saída socialista e revolucionária para a crise que rouba os empregos, os salários e o futuro dos trabalhadores e a juventude. Por isso constrói junto com outras organizações o Polo Socialista e Revolucionário.

E devemos ajudar a construir essa alternativa também no Rio Grande do Sul. No nosso Estado os trabalhadores têm sentido os reflexos da crise econômica e dos ataques dos governos das três esferas! Eduardo Leite merece o ódio dos educadores, do funcionalismo estadual e de todos os trabalhadores. Os professores estão inclusive cada vez mais doentes com as péssimas condições de trabalho. O avanço da privatização da Corsan e CEEE tem como consequência a falta de água e aumento da conta de luz aos trabalhadores.  Para completar o quadro Eduardo Leite ainda quer privatizar o Banrisul.

Nós opinamos que é preciso acabar com o controle que os grandes capitalistas têm sobre o Rio Grande do Sul e o Brasil. É necessário enfrentar os super-ricos e as instituições que mantém o povo subjugado pelos bancos e grandes empresários. É preciso um governo socialista, da classe trabalhadora e do povo pobre. É preciso organizar e mobilizar os debaixo para mudar radicalmente as nossas vidas; lutar por uma revolução socialista.

Só assim os recursos naturais do país e a riqueza produzida pelos trabalhadores serão utilizados para garantir vida digna a todas e todos, assegurando a preservação do meio ambiente. Vamos construir uma sociedade livre de toda opressão e discriminação, como o racismo, o machismo, a LGBTIfobia, a xenofobia. Uma sociedade que respeite os direitos dos povos indígenas e das comunidades quilombolas, assegurando direito à moradia e demarcação, titulação e posse de suas terras e respeitando sua cultura e seu modo de vida. Uma sociedade que assegure a todas e todos não apenas condições materiais para uma vida digna, mas também acesso ao conhecimento, à cultura, ao lazer, e a toda liberdade necessária para sua realização plena como seres humanos.

O socialismo que defendemos rejeita o autoritarismo burocrático da experiência stalinista. O poder deve ser exercido com democracia operária, pela auto-organização da própria classe e da juventude, para que se decida de forma efetiva o que fazer e como fazer no país.

Então, minha filiação é militante, é para lutar por um projeto. Porque precisamos de um partido revolucionário e socialista.