Basta da política assassina de Witzel!

foto Fernando Frazão/Agencia Brasil

Cyro Garcia, presidente do PSTU-RJ

Os cariocas e fluminenses estão tragicamente desamparados com seus governantes. No Rio, o prefeito Marcelo Crivella, além de atacar os direitos básicos dos trabalhadores: na saúde, educação e transportes públicos, governa a cidade como se fosse uma extensão da Igreja Universal, desrespeitando a diversidade cultural da cidade. Como se não bastasse, também foi aqui que Bolsonaro se lançou na política como vereador, passando pelo baixo clero na Câmara dos Deputados, até atingir a presidência da República onde ataca ferozmente o direito dos trabalhadores, como na reforma da Previdência e na MP da Liberdade Econômica, e faz e fala merda todos os dias.

Já no governo do estado, temos a figura do governador “Rambo” e ex-juiz, Wilson Witzel (PSL) que, além de atacar diariamente os direitos dos servidores públicos estaduais, como a recente tentativa de acabar por decreto com o plano de carreira dos professores, implementa uma política de segurança racista que criminaliza a pobreza e promove um verdadeiro genocídio da juventude negra que mora nas favelas e nas periferias. Tem prazer em vestir uniforme camuflado da polícia e participar de operações para pôr em prática seu lema: “a polícia vai mirar na cabecinha e fogo”.

Só nos cinco primeiros meses foram 434 mortes cometidas pelas polícias do estado do Rio de Janeiro. Várias dessas mortes atingindo pessoas inocentes, como vimos na última semana em que foram assassinados vários jovens em lugares diferentes da cidade. Dois deles, Dyogo Costa Xavier e Gabriel Alves, tinham o sonho de ser jogador de futebol. Já Henrico Junior era estoquista em um supermercado em Magé. Por ironia, a jovem mãe de 17 anos, Margareth Teixeira da Costa, que morreu durante uma operação policial em Bangu, com o seu bebê no colo no momento em que se dirigia para a igreja, tinha o sonho de ser policial militar.

Pais do jovem Gabriel Pereira Alves exibem camiseta perfurada por tiro da polícia

Mesmo que algumas dessas mortes tenham sido sabidamente cometidas pela polícia, o governador numa atitude de deboche com a dor dos familiares declarou que: “se os criminosos acham que matando inocentes vão fazer com que o Estado pare, eles estão absolutamente enganados.”. Nenhuma desculpa, nenhuma autocritica. Ao contrário, ele diz que as operações vão continuar. E mais recentemente teve coragem de dizer que a culpa das mortes era dos defensores dos Direitos Humanos!

Não bastando o extermínio físico da juventude negra, esta política de segurança assassina também as perspectivas de futuro da juventude negra que mora nas favelas e periferias. Todos os dias são milhares de crianças que ficam à mercê de balas perdidas e sem aulas. Depois querem falar em meritocracia, como se estas crianças tivessem as mínimas condições para competir com aqueles cujas famílias podem pagar boas escolas privadas.

A justificativa para esta política de segurança é a de se implementar uma “guerra às drogas”, que acaba se transformando numa verdadeira guerra aos pobres. Esta “guerra às drogas” é uma verdadeira hipocrisia e já se demonstrou falida há muito tempo. Todos sabem que é uma política de enxugar gelo, mas que serve aos interesses da indústria armamentista. O tráfico de drogas alimenta o tráfico de armas e vice-versa, sem falar do envolvimento de setores da polícia com as milícias e o próprio tráfico de drogas, como periodicamente é noticiado pela grande imprensa.

Não existe uma intenção real de acabar com o tráfico de drogas, pois ele é responsável por altos lucros que são “lavados” e jogados dentro da economia formal, atendendo a interesses do sistema financeiro. Uma política responsável para acabar com o tráfico de drogas tem que começar por uma discussão séria sobre a descriminalização das drogas, pois droga é uma questão de saúde pública e não de segurança pública. Esta medida ataca, ao mesmo tempo, os tráficos de drogas e de armas, aumentando exponencialmente a segurança da população, principalmente a parcela formada pelos trabalhadores mais humildes que tem de se submeter à opressão do tráfico, das milícias e da violência policial.   Esta medida necessariamente tem de ser acompanhada por outras como uma educação e saúde públicas e de qualidade, geração de empregos para a juventude. Outra medida importante é a desmilitarização da PM, com todos os policiais tendo direito a um salário digno, direito de sindicalização e direito de greve. Os delegados devem ser eleitos pelas comunidades e a polícia tem de ter uma postura de respeito aos cidadãos, não de imposição do poder pelo medo e o terror.

É de fundamental importância que as organizações dos trabalhadores e dos setores oprimidos da sociedade se mobilizem para deter essa escalada assassina e derrotar os ataques deste governo que se coloca a serviço dos ricos e poderosos do Estado, como fizeram os estudantes da UFF que promoveram um protesto no dia em que ele foi fazer a sua qualificação no doutorado de Ciência Política. Na ocasião, o governador se fez acompanhar por uma escolta da PM, ferindo a autonomia universitária, bem ao seu estilo fanfarrão e autoritário, que promoveu uma forte repressão aos manifestantes.

Contra Witzel e a sua política racista e assassina!

Fim da guerra às drogas, legalização e controle da produção e descriminalização do consumo!

Pelo fim da Polícia Militar! Por uma polícia única e civil!