Foto: Wikimedia Commons/Bruno Kelly/Amazônia Real

Mesmo sendo um mês de chuvas na Amazônia, abril bateu recorde de desmatamento com mais de 1.000 km2 de florestas derrubadas, de acordo com os dados do sistema de alertas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Deter, divulgados nesta sexta-feira, 6/5. É incomum ver taxas de desmate tão altas neste período.

É a primeira vez que um dos primeiros quatro meses do ano apresenta desmatamento que ultrapassa a casa de mil quilômetros quadrados, foram exatamente 1.012 km². Pode ainda haver um aumento no dado, considerando que o Inpe divulgou a taxa registrada até o dia 29 do mês passado.

O valor, mais um recorde de destruição da floresta sob o governo Jair Bolsonaro (PL), representa um salto expressivo de 74% em relação aos alertas de desmate registrados em abril do ano passado, cerca de 580,5 km², um número que também era o recorde para o mês.

O Observatório do Clima, rede de organizações e entidades especializada no monitoramento de temas do meio ambiente no Brasil, avalia que “o cenário é grave porque abril ainda é um mês de chuvas na Amazônia — o último do chamado ‘inverno’ amazônico, quando o ritmo do desmatamento cai. “Antes do governo Bolsonaro, era raro um dado mensal de alertas ultrapassar 1.000 km² até mesmo na estação seca”, complementa o Observatório do Clima.

O atual cenário de devastação vai na contramão das metas e compromissos assumidos pelo Brasil durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP26), entre eles, acabar com o desmatamento ilegal antes de 2030. O compromisso de Bolsonaro é com os garimpeiros ilegais, grileiros e madeireiros que lucram com a destruição das florestas e dos rios.

Os quatro estados com maior área sob alertas de desmatamento em abril foram: Amazonas (346.89 km²), Pará (241.92 km²), Mato Grosso (286.68 km²) e Rondônia (107.86 km²).

Os municípios com maior área sob alerta de desmatamento foram: Lábrea (AM) com 107.05 km²; Altamira (PA), 94.02 km²; Apuí (AM), 86.62 km²; Colniza (MT), 74.58 km², Novo Progresso (PA), 67.07 km²; Itaituba (PA), 42.02 km²; Porto Velho (RO), 41.55 km²; Manicore (AM), 39.47 km²; Humaitá (AM), 32.53 km²; e São Felix do Xingu (PA), 30.71 km².

Desmatamento mais intenso

O Observatório do Clima ressalta que, no acumulado do ano/período, os alertas já chegam a 5.070 km², 5% a mais do que na temporada passada. É o segundo maior número da série histórica, perde apenas para o recorde de 5.680 km2 batido pelo próprio governo Bolsonaro em 2020.

Os dados do Observatório do Clima mostram que desde agosto passado, os alertas vêm batendo recordes: em outubro, janeiro, fevereiro e agora em abril, aponta o Observatório do Clima.

“As causas desse recorde têm nome e sobrenome: Jair Messias Bolsonaro. O ecocida-em-chefe do Brasil triunfou em transformar a Amazônia num território sem lei, e o desmatamento será o que os grileiros quiserem que seja. O próximo presidente terá uma dificuldade extrema de reverter esse quadro, porque o crime nunca esteve tão à vontade na região como agora”, disse Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.

No último dia 3, foram divulgados os dados que revelam que 97% dos alertas de desmatamento emitidos pelo Inpe e por outras ferramentas de monitoramento de desmate no país, desde o início da gestão de Jair Bolsonaro (PL), não foram fiscalizados (leia aqui).

Área desmatada e queimada em 2021 já recebe gado em Porto Velho, Rondônia (Foto: Christian Braga/Greenpeace)

Contra a barbárie ecológica, uma saída socialista!

A exploração capitalista degrada o meio ambiente de uma forma brutal e usa mais recursos naturais do que se pode recompor naturalmente, e tudo isso para alimentar um consumismo desnecessário à população, mas fundamental para o lucro das grandes corporações econômicas. E isso está empurrando o planeta a uma degradação do meio ambiente tal que pode questionar a existência da humanidade.

É necessário impor um desenvolvimento econômico em acordo com as necessidades dos trabalhadores e da população e da preservação do meio ambiente. E, para isso, é fundamental enfrentar as grandes empresas para defender o meio ambiente.

E, para isso, é fundamental enfrentar as grandes empresas para defender o meio ambiente.

Defendemos:

– Expropriar as madeireiras que queimam a Amazônia;
– Prisão aos garimpeiros ilegais e grileiros;
– Fortalecimento dos órgãos ambientais, com execução integral do orçamento, a contratação de equipes novas para ações de fiscalização e a elaboração de um plano real de contingência da perda de floresta;
– Normas para redução da emissão de carbono, com a expropriação das empresas que as rompam;
– Fontes limpas de energia, como a eólica, para ampliar a geração de energia elétrica com preservação ambiental e não com obras monstruosas como Belo Monte;
– Demarcação das terras indígenas e quilombolas;
– Aumento das áreas de preservação ambiental, com fortalecimento dos órgãos públicos de fiscalização e incorporação da sociedade no controle dessas áreas;
– Capitalismo não rima com meio ambiente! Só uma sociedade socialista, igualitária e sem exploradores poderá construir uma relação harmônica com o meio ambiente!