2º turno ficou para agosto: Ainda é possível derrotar a reforma, mas é preciso acabar com o corpo mole das direções

Ato em Brasília nesse dia 12 de julho Foto Romerito Pontes

Redação

O Congresso Nacional terminou a votação da reforma da Previdência em 1º turno, mas não conseguiu ainda votar em 2º turno. Essa ficou para agosto. Só depois de aprovada em 2º turno na Câmara a reforma pode ir ao Senado. E a sua aprovação final depende que o Senado aprove tudo que a Câmara já aprovou. Se mudar alguma coisa, ela tem que voltar para os deputados.

A proposta aprovada nesta etapa, apesar de uma mudança ou outra, é muito ruim e um verdadeiro roubo das aposentadorias dos trabalhadores e dos mais pobres deste país em favor dos muito ricos. Ela teve muitos votos, 379, acima do necessário (308), e mostra a real face do parlamento: corrupto e fantoche dos banqueiros e grandes empresários, contrário aos trabalhadores e a grande maioria do povo. O governo destinou R$ 4,2 bilhões aos parlamentares para comprar votos.

Mesmo assim, a reforma pôde ser aprovada em 1º turno, pois não houve uma campanha e uma mobilização à altura aqui em baixo. As fake news da mídia desinformaram e até convenceram uma parcela da população. Contribuiu para isso o corpo mole das cúpulas das principais centrais e dos partidos que se dizem de oposição e vinculados a organizações dos trabalhadores, como PT, PCdoB, PDT, PSB e mesmo PSOL, que privilegiam as negociações no parlamento à mobilização dos trabalhadores. Houve uma luta muito aquém da necessária e do possível, além de um grau de informação que mostrasse a verdade e a crueldade dessa reforma.

Os partidos de oposição e as cúpulas das principais centrais, ao invés de apostar tudo na construção da mobilização, da Greve Geral, da luta na rua e a campanha na base para explicar a verdade sobre essa reforma e ajudar a organizar a reação, privilegiam as negociações no Congresso.

Fazem isso porque, na verdade, não se opõem verdadeiramente ao sistema. Não querem uma verdadeira transformação. Pelo contrário, se propõem a governar o sistema para os banqueiros e grandes industriais e a fazer também “ajustes” e algum tipo de reforma da Previdência, que igualmente tira dos pobres. Por isso Lula fez uma reforma da Previdência, e Dilma também faria como ela mesma diz, da mesma maneira que FHC fez em seu governo, e Temer também faria.

Agora, perante a reforma de Bolsonaro, não jogam para derrotá-la para valer. Mas apenas para alterar um ponto ou outro, apostando em alianças no Congresso. E, por outro lado, apostando meramente no jogo eleitoral futuro e na capitalização do desgaste do governo.  Isso é o que está por trás do corpo mole das cúpulas das centrais, exceto a CSP-Conlutas. Só que esse jogo em prol da manutenção e administração do sistema capitalista, constrói derrotas da classe trabalhadora.

Essa reforma de Bolsonaro-Guedes-Rodrigo Maia e do Congresso Nacional é a pior que pode existir. É crueldade pura. Para garantir e aumentar os lucros dos bancos e das grandes empresas, resolveram tirar R$ 1 trilhão dos trabalhadores para “economizar” dinheiro e destiná-lo aos bancos. Falaram que a reforma ataca privilégios e que vai fazer o país crescer. Tudo mentira. Estão tirando R$ 850 bilhões dos que se aposentam pelo INSS. Desde quando, os que se aposentam pelo INSS são privilegiados? Outro tanto estão tirando de professores, de pensão de viúvas e órfãos e outro tanto de pobres que vivem do BPC. Um roubo puro e simples.

É possível virar, mas tem que ter luta
Isso reforça que nessa democracia dos ricos, dentro desse Congresso Nacional cujo jogo é ditado pelos banqueiros e grandes empresários, a única forma de impedirmos um ataque dessas proporções é através da luta, da greve e da mobilização. Só a ação direta da classe trabalhadora, da juventude e do povo pobre pode impedir esse ataque e impor uma derrota ao governo e ao Congresso Nacional. Apostar nas negociações e no jogo viciado dos corredores do Congresso, assim como as próximas eleições, é o caminho certo para a derrota.

Mas para ter luta é preciso que as direções das grandes centrais sindicais deixem de corpo mole e as negociações por cima, e organizem para valer a mobilização. Neste ano tivemos grandes manifestações contra os cortes na Educação, e um dia de greves e paralisações em 14 de junho. Os trabalhadores e o povo, se informados sobre os ataques que virão, têm disposição de luta. Mas é preciso organizar, convocar e colocar todas as forças para isso.

A votação da reforma será retomada no início de agosto. É possível virar esse placar. Mas para isso as direções das grandes centrais como CUT, CTB, Força Sindical, etc., precisam romper qualquer tipo de negociação e, como vem exigindo a CSP-Conlutas desde o início do ano, se colocar inteiramente na organização de grandes manifestações rumo a uma nova, e mais forte, Greve Geral em defesa das nossas aposentadorias e contra essa reforma cruel e desumana. Exija do seu sindicato que organize a luta e convoque assembleia. Ajude a mostrar a verdade sobre a reforma para seus colegas no local de trabalho, estudo, moradia, converse com seus amigos. Ajude a montar um comitê no seu bairro. Para saber toda a verdade sobre essa reforma, veja aqui.

Vamos defender toda unidade para lutar com todo mundo que quiser lutar. Mas já é hora também de, na luta, os trabalhadores construírem um caminho seu, um caminho socialista, que derrote os capitalistas e garanta pleno emprego, saúde, educação, moradia e aposentadorias dignas.

Já passou da hora de virar o jogo, partir para derrotar os ataques dos capitalistas visando mudar o sistema.