Com muita indignação e pesar, os operários da fábrica Owens Illinois (Cisper) no Parque Cisper, Zona Leste de São Paulo, protestaram em assembleia convocada pelo Sindicato dos Vidreiros de São Paulo no dia 1º de dezembro contra mais um acidente que levou à morte o coordenador de fornos Antônio Carlos Tola Júnior, de 43 anos, que deixou esposa e filha.

O acidente ocorreu no último dia 10 de novembro e foi noticiado como uma explosão que feriu 5 operários, tendo ficado Antônio Carlos com 70% do corpo queimado, vindo a falecer no dia 26 de novembro. Ele fazia a manutenção no forno que apresentava vazamentos há mais de 5 anos, sendo atingido pelo rompimento de uma das placas refratárias.

Segundo o sindicato, o forno que opera a uma temperatura de 1.500ºC, com uma capacidade de extração diária de até 280 toneladas, estava operando com 340 toneladas. Além disso, a empresa omite informações de segurança e adia reparos necessários nas linhas de produção.

A fábrica Cisper (Companhia Industrial São Paulo e Rio de Janeiro) da Zona Leste de São Paulo foi a segunda fundada no Brasil, em outubro de 1949 (a primeira foi no Rio de Janeiro no início do século XX). Em 1962, a Owens Illinois Inc., empresa multinacional norte-americana presente em mais de 20 países e responsável por cerca de 60% das embalagens de vidro produzidas no mundo, adquiriu 80% da Cisper. Em suas propagandas, exalta a “sustentabilidade” de sua produção e, no Brasil, seu lema seria cômico se não fosse trágico: “Vidro é Vida”.

A sede de lucro dos proprietários dessa empresa, que em nada se importa com a vida dos seus trabalhadores, está expressa em seus planos de expansão, anunciados através do Jornal Valor Econômico em outubro: vai investir cerca de R$ 990 milhões (US$ 180 milhões) em duas novas fábricas no Brasil até 2024, como parte de um montante de US$ 680 milhões destinados ao aumento da produção com a introdução de nova tecnologia (Magma) que “oferece eficiência energética elevada ao injetar no forno mais oxigênio, de maior poder calorífico. Assim, viabiliza a operação de linhas de produção menores, com um quarto de uma fábrica convencional, além de processo praticamente 100% digital”, conforme afirmou à Revista IstoÉ Dinheiro Hugo Ladeira, presidente da Owens Illinois para a América Latina.

Ou seja, para investir na segurança para o trabalho dos seus funcionários não há recursos, mas para avançar na conquista do mercado brasileiro e mundial, e nos lucros, à custa de plantas industriais com redução de empregos, dinheiro não falta.

A Owens Illinois (Cisper), assim como o capitalismo, trata seus trabalhadores como meras peças de reposição. Para os capitalistas da Cisper, os trabalhadores são tão descartáveis quanto as embalagens de vidro que produz.

É preciso destruir o sistema capitalista que impõe a lógica do lucro que só favorece aos patrões e destrói vidas humanas todos os dias. Somente o controle operário sobre as empresas e a produção pode pôr fim a esse sistema de exploração e opressão.

Todo apoio à luta por justiça, condições de trabalho e segurança dos trabalhadores da Cisper. Nossa solidariedade à família e amigos de Antônio Carlos.

Por uma sociedade socialista, onde os que produzem as riquezas governem e dirijam a humanidade para a verdadeira igualdade e liberdade!