Manifestação dos agentes socioeducativos no dia 17 de maio

Os servidores da socioeducação no estado de São Paulo estão na linha de frente no atendimento aos jovens adolescentes em conflito com a lei, serviço que não parou durante a pandemia e que até 19 de maio sofreu a perda de 31 trabalhadores vítimas do Covid-19, registrando 1813 contagiados. Durante a pandemia, o governo não garantiu EPI’s suficientes e de qualidade, não garantiu a testagem massiva e periódica, e agora não garante a vacina para todos os servidores da Fundação Casa.

O Governo, através da sua comissão de negociação estadual, e a Fundação Casa, não apresentaram propostas às cláusulas econômicas, e ainda foi alterado de forma unilateral escalas de trabalho, critérios de concessão de vale-refeição, novo aumento da cota-parte dos servidores no convênio médico, redução do efetivo de servidores do noturno com o objetivo de redução de custos, sem a ponderação dos riscos que estes servidores ficarão expostos. Além do fim do revezamento do teletrabalho dos servidores dos setores pedagógico, administrativo, operacional e psicossocial, fazendo com que o contingente funcional nos centros durante o período diurno voltasse às condições anteriores à pandemia, oferecendo assim maior risco de transmissão aos trabalhadores, e consequentemente a seus familiares.

A greve, portanto, se inicia na próxima sexta-feira, 4 de junho, e precisa do apoio de toda a sociedade, pois o governo está metendo a mão no bolso desses trabalhadores que não recebem um salário digno e ainda sofrem com uma forte desvalorização de seus ganhos. Além do aumento do convênio médico, novas regras para adquirir o vale-refeição fizeram com que os trabalhadores começassem a escolher entre a saúde e o alimento. Os trabalhadores estão sem reajuste salarial desde 2015 e sem repasse da inflação desde 2019.

O agente de apoio socioeducativo, diretor do SITSESP (Sindicatos dos Trabalhadores nas Fundações Públicas de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente em Privação de Liberdade do Estado de São Paulo) e militante do PSTU, Emerson Feitosa, nos conta: “Nós socioeducadores protagonizamos, em finais de 2020, uma greve que contou com piquetes em mais de 100 unidades, durante mais de 10 dias, greve que se tornou necessária pela intransigência da Fundação Casa em negociar durante a campanha salarial. Neste ano nada mudou, o presidente da Fundação Casa, que é também Secretário da Justiça e Cidadania do estado de São Paulo, não participou de nenhuma rodada de negociação em 2021 e sua administração é marcada por perseguir e assediar moralmente trabalhadoras e trabalhadores. A categoria pede que se abra concurso público, pois a nossa segurança está em risco pelo baixo efetivo, principalmente no período noturno onde o efetivo é de apenas 30%. Há unidades onde só 3 servidores precisam dar conta de 60 adolescentes”.

Doria destrói o serviço público

O governador João Doria faz de tudo pra se cacifar pela direita como o melhor candidato presidencial para a burguesia. Por isso, tem sido extremamente cruel com os trabalhadores vinculados ao governo do estado. Fez questão de abrir as escolas, ainda que isso represente um tremendo risco à saúde pública, já que as escolas são foco de disseminação do vírus em toda a sociedade.

No metrô, Doria também está tentando tirar direitos dos trabalhadores, ao mesmo tempo que faz investimentos milionários na empresa privada CCR. O governo foi forçado a negociar com os metroviários após a forte greve em 19 de maio, mas, ainda assim, passada a greve, está dando calote nos trabalhadores e atacando o sindicato.

Na Fundação Casa, assim como em outros setores do funcionalismo estadual, a política do governo Doria é aproveitar a crise da pandemia para “passar a boiada” em cima dos direitos dos trabalhadores.

Nos protestos do dia 29, na greve do metrô e agora na greve da Fundação Casa os trabalhadores mostram o caminho. Com unidade e luta é possível barrar todos esses ataques e deixar claro que Doria é igual Bolsonaro em seu desrespeito aos direitos e condições de vida dos trabalhadores.

A burguesia e seus governos querem aproveitar a crise para nos roubar ainda mais. É preciso organizar a indignação e caminhar para a auto-organização dos trabalhadores nas suas frentes de trabalho, rumo à uma greve geral.