O desemprego já vinha crescendo no Brasil mesmo antes da pandemia. Em fevereiro de 2020, um mês antes da Organização Mundial de Saúde (OMS) declarar pandemia do novo coronavírus, a taxa de desemprego em nosso país era 11,6%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o que correspondia a 12,3 milhões de desempregados.

Mas, se Bolsonaro está sendo omisso no combate ao vírus, não seria diferente em relação ao desemprego. A falta de políticas públicas para gerar novos empregos e manter os já existentes fez com que o número de desempregados aumentasse. Dados do IBGE apontam que, no 1º trimestre de 2021, o desemprego subiu para 14,7% e atingiu o recorde de 14,8 milhões de brasileiros. É a maior taxa e o maior contingente de desocupados já registrados pela série histórica do IBGE, iniciada em 2012.

“Estou desempregado desde maio do ano passado. De lá pra cá, venho batalhando por uma vaga de emprego e não consigo. Tenho vivido com o auxílio emergencial, que não dá pra muita coisa, e de bicos, que faço quando surge uma oportunidade. A situação tá muito difícil e não acho que vá melhorar tão cedo”, diz Wellington Corrêa, operário da construção civil.

Em um ano, assim como Wellington, outros 1.956 milhão de pessoas entrou nas estatísticas do desemprego. Desse total, 880 mil pessoas perderam os empregos somente nos três primeiros meses de 2021. Em um ano, também houve redução de 6,6 milhões de postos de trabalho no país.

A tendência é de piora, segundo cálculos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base em dados IBGE. Em março, a taxa de desemprego no Brasil já estava em 15,1%, com 15,2 milhões de pessoas em busca de trabalho.

TRAGÉDIA SOCIAL

Falta trabalho para 33,2 milhões

Carteiras de trabalho de candidatos a vagas de emprego temporário oferecidas pela Metalúrgica Aliança, em uma mesa do departamento pessoal da empresa.

Quando analisamos o conjunto dos dados da pesquisa do IBGE, referente ao primeiro trimestre deste ano, nota-se que falta trabalho para 33,2 milhões de brasileiros.

Temos 14,8 milhões de desempregados (pessoas que não trabalham, mas procuraram empregos nos últimos 30 dias); 7 milhões de subocupados (pessoas que trabalham menos de 40 horas por semana, mas gostariam de trabalhar mais) e 11,4 milhões de pessoas que poderiam trabalhar, mas não trabalham. Neste último grupo estão incluídos 6 milhões de desalentados; ou seja, aqueles que desistiram de procurar emprego, e outras 5,4 milhões que podem trabalhar, mas que não têm disponibilidade por algum motivo, como mulheres que deixaram o emprego para cuidar os filhos.

Ao somarmos todos os esses números, chegamos ao total de 33,2 milhões de pessoas que precisam de trabalho no Brasil.

RAIO-X DO DESEMPREGO
14,8 milhões de desempregados
7 milhões subocupados
6 milhões de desalentados
5,4 milhões que precisariam trabalhar mais, mas não podem
Fonte IBGE

OPRESSÕES

Retrato do desemprego no Brasil: mulheres, negros, jovens e com baixa escolaridade

O desemprego no Brasil tem gênero, raça, idade e nível de escolaridade: mulheres, negros, jovens e pessoas com baixa escolaridade. Esse é o retrato revelado pela pesquisa do IBGE.

A taxa de desemprego entre as mulheres atingiu 17,9% no 1º trimestre, a maior da série histórica. Acompanhando uma tendência de crescimento, que vem desde primeiro trimestre do ano passado, quando a taxa de desemprego entre as mulheres estava em 14,5% e saltou para 16,4%, no quarto trimestre de 2020.

A pesquisa mostra que as mulheres têm uma rotatividade maior ou uma permanência menor no mercado de trabalho, quando comparadas aos homens. São as primeiras a serem demitidas, embora elas tenham maior nível de escolaridade. O IBGE também destaca que as mulheres ganham 77,7% do salário dos homens.

Quanto à questão racial, o desemprego é maior entre pretos e pardos (de acordo com a classificação do IBGE, considerados todos “negros”, pelos movimentos) que entre os brancos. Enquanto entre estes a taxa ficou 19,04% abaixo da média geral (lembramos, de 14,7%), entre os pretos e pardos ela superou a média em, respectivamente, 26,53% e 14,96%.

Já quanto à idade, os jovens de 18 a 24 anos são os que mais sofrem com o desemprego, segundo o IBGE. Entre eles, a taxa ficou em 31%, superior ao dobro da média nacional (14,7%).

Na análise por nível de escolaridade, a taxa de desocupação para as pessoas com ensino médio incompleto (24,4%) foi a mais alta. Para as pessoas com nível superior incompleto, a taxa foi 17,5%, mais que o dobro da verificada para o nível superior completo (8,3%).

BARRAR OS ATAQUES, GERAR EMPREGO E RENDA

Bolsonaro e Guedes promovem demissões e atacam direitos

Durante todo o período da pandemia, Bolsonaro não tomou medidas concretas para proteger os empregos. Sua preocupação central foi salvar o lucro dos capitalistas.

Em abril do ano passado, o governo federal lançou o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e Renda, a MP 936, que permitiu reduzir a jornada e os salários dos trabalhadores, a custa de uma estabilidade provisória. No entanto, sem uma lei que proibisse as demissões, passada a estabilidade prevista na MP, houve uma onda de dispensas.

Em nome do lucro, a patronal se aproveitou para demitir em massa, impor acordos salariais rebaixados, “lay off” (suspensão temporária do contrato de trabalho) e Programas de Demissão Voluntária (PDV). Além disso, o atraso e as falhas para liberação do crédito às pequenas empresas levaram milhares de pequenos negócios à falência.

Outro ataque de Bolsonaro foi a tal da “carteira verde e amarela”, que criou um regime de subcontratação em que o trabalhador recebe por hora trabalhada e sem direitos. Tudo isso com uma campanha de “fake news”, vendendo a ideia de que o objetivo era gerar empregos.

Reduzir direitos não gera mais empregos. Os dados do IBGE mostram isso, já que o desemprego só cresce no Brasil. Ao invés de gerar empregos, essas medidas de Bolsonaro e Paulo Guedes incentivam as empresas a demitirem os trabalhadores, com mais direitos para contratar trabalhadores com salários e direitos rebaixados. Além disso, achata o salário de todos os trabalhadores, pois legaliza o trabalho precário.

Para garantir emprego, renda e condições sociais, defendemos:
• Um plano de geração de empregos, com construção de hospitais, rede de saneamento básico e moradia;
• Aprovação de uma lei que proíba as demissões durante toda a pandemia, reintegração dos demitidos e estatização das empresas que demitirem;
• Redução da jornada de trabalho, sem redução de salários e direitos;
• Auxílio emergencial de no mínimo de R$ 600 para todos os desempregados, até o final da pandemia;
• Isenção do pagamento de aluguel, água, energia elétrica e gás;
• Revogação imediata das reformas Trabalhista e Previdenciária.

AUXÍLIO-EMERGENCIAL

Bolsonaro: “Quem quer mais, é só ir ao banco e fazer empréstimo”

Assim como faz em relação às vidas das pessoas, Bolsonaro também debocha da situação de pobreza e miséria, pela qual também é responsável. Além de conceder um arremedo de auxílio-emergencial, ele respondeu às críticas em relação ao irrisório valor do benefício, mandando os descontentes fazerem “empréstimos” no banco.

“Como é endividamento por parte do governo, quem quer mais, é só ir ao banco e fazer empréstimo”, disse o genocida em conversa com apoiadores, no famoso cercadinho do Planalto. O auxílio que o governo paga desde abril (de R$ 150 a R$ 375, sendo o valor médio de R$ 250) não cobre nem uma cesta básica. Levantamento do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que a cesta de produtos essenciais custava, em março, R$ 626, em São Paulo; R$ 623, em Porto Alegre e R$ 612, no Rio de Janeiro.

E como se não bastasse o valor que, em si, já é um deboche, o auxílio será em apenas quatro parcelas, devendo terminar em julho.

Mas isso não preocupa Bolsonaro, que aumentou seu próprio salário para R$ 41,6 mil, com uma canetada mês passado, torrou R$ 2,4 milhões nas férias e se esbaldou com os amigos com um churrasco de R$ 1,8 mil.