Surge guerrilha contra a ONU no Haiti

Grupos de ex-militares haitianos convocaram nesta segunda, 21, uma guerrilha contra as forças da Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah). A declaração dos ex-soldados ocorreu em um momento de crise, um dia após dois soldados da ONU terem sido mortos e dois dias antes da publicação de um relatório que denuncia abusos cometidos pelos capacetes azuis no Haiti. As denúncias serão divulgadas amanhã, dia 23, por uma ONG e pelo departamento de Direito da Universidade de Harvard. Diante das ações cada vez mais violentas das tropas comandadas pelo Brasil, o grupo de ex-militares responsável pela queda de Aristide resolveu convocar a guerrilha.

“Convoco vocês [ex-militares] a adotarem o comportamento de guerrilheiros“, disse o líder ex-militar Joseph Jean-Baptiste. “Infiltrem-se entre os civis, instalem-se em meio à população para se defender da Minustah, que é uma força de guerra, não de paz“. “Estou convocando todos os ex-soldados em todo o país para um levante“, chamou outro líder ex-militar, Ramissainthe Ravix, numa manifestação em Terre-Rouge, onde tropas da ONU realizavam uma operação. Na ação em Terre-Rouge ontem, tropas nepalesas e brasileiras retomaram outra delegacia invadida por ex-militares e houve tiroteio.

O general brasileiro Augusto Heleno Ribeiro Pereira, comandante da missão no Haiti, disse que não sabe sobre a guerrilha. “Não tive nenhuma notícia disso ainda. Para mim, é novidade“, disse.