Pela Abertura das fronteiras! Direito de ingresso a todos os requerentes de asilo – haitianos e outros. Esta não é uma questão moral. Como potência hegemônica imperialista mundial, que lucra com a pilhagem e a hiperexploração do Sul Global, e das Américas em particular, os Estados Unidos são mais cúmplices do que outros países no sofrimento do povo haitiano.

O Haiti vive atualmente uma crise profunda, uma crise impulsionada pelo assassinato do presidente Jovenel Moïse e pelo terremoto de agosto de magnitude 7.2. A violência das gangues é avassaladora. De acordo coma ONU, o terremoto afetou 800 mil pessoas.

Esta situação impeliu dezenas de milhares de haitianos a buscar refúgio nos EUA. A maioria está vindo para o centro de imigração em Del Rio Texas, local de violência brutal praticada por agentes da fronteira que se tornam bandidos a cavalo, uma reminiscência de seus ancestrais caçadores de escravos. Biden disse que está aplicando e continuará implementando as políticas de fronteira da era Trump para expulsar mais de 14 mil haitianos em busca de asilo. Segundo o jornal New York Times (19/09): “Pelo menos uma dúzia de migrantes disseram que se sentiram enganados pelos Estados Unidos. Eles disseram que foram informados por oficiais uniformizados que o voo em que estavam embarcando tinha como destino a Flórida. Quando souberam do contrário, alguns protestaram, mas foram algemados a bordo.”

As promessas da campanha de Biden de um regime mais “humanitário” do que o de Trump são palavras vazias.

Realmente não há diferença entre os dois partidos do regime dos EUA, seja em termos de brutalidade, seja em seu aspecto mais profundo, a função de classe como partidos capitalistas. Para eles, a imigração tem um propósito: servir à classe capitalista dos EUA e, em particular, ao agronegócio, ao trabalho doméstico, de varejo e hotelaria e às indústrias de alta tecnologia. Para os capitalistas, imigrantes e outros trabalhadores que não se enquadram em sua lógica de lucro são, na verdade, subumanos.

Haiti

Uma longa história de opressão imperialista

Devemos também lembrar a longa história de opressão do imperialismo no Haiti. O Haiti foi o primeiro país do mundo fundado por ex-escravos que fizeram uma revolução contra seus opressores racistas. Os ex-colonos racistas franceses e os imperialistas americanos jamais poderiam perdoar isso. Devemos lembrar também que a França fez o Haiti pagar dezenas de bilhões de dólares pela “propriedade” que “perdeu” durante a Revolução. Os imperialistas do Norte há séculos sujeitam o pequeno país caribenho à servidão por endividamento, a ditaduras impostas e a um regime de desemprego crônico que leva à imigração da mão-de-obra para servir ao capital regional e imperialista.

Sem fronteiras

A luta por direitos aos imigrantes é de todos os trabalhadores

As fronteiras existem para impedir a livre circulação de trabalhadores e, ao mesmo tempo, permitir a livre circulação de capitais. O imperialismo devasta os países do Sul, gerando um vasto exército excedente de trabalhadores de baixa renda que podem ser explorados por meio da imigração seletiva ao Norte. Além disso, as fronteiras servem à classe capitalista porque promovem a ideologia patriótica e o chauvinismo e, portanto, as divisões dentro da classe trabalhadora.

Nosso partido acredita que os trabalhadores têm o direito de viver e trabalhar onde desejarem. Defendemos a plena liberdade de movimento dos trabalhadores. Defendemos os direitos de todos os trabalhadores e povos oprimidos de migrar para o norte imperial, com os mesmos direitos econômicos, sociais e políticos dos trabalhadores nativos que, de uma forma ou de outra, se beneficiaram dos empreendimentos imperiais dos capitalistas de sua nação. Nos Estados Unidos, lutamos pelo direito de todos os imigrantes à cidadania plena imediata e incondicional e por igualdade de direitos econômicos.

Também lutamos pelo fim de todos os ataques da ICE (agência migratória) e outras políticas que instigam o terror nas comunidades de imigrantes. Em última análise, buscamos a abolição da ICE por completo e, com isso, o fim da implementação da fronteira imperialista que existem para prejudicar os trabalhadores, mas isso requer um maior nível de organização e mobilização independentes.

A luta por direitos plenos para os imigrantes nos Estados Unidos não é uma luta apenas para os imigrantes. Todos os trabalhadores devem apoiar o direito de todos os imigrantes de se organizarem e formarem sindicatos.

O principal obstáculo à capacidade de nossa classe de lutar é a falta de uma organização de massas da classe trabalhadora dos EUA, capaz de dirigir as lutas de nossa classe contra o regime bipartidário e contra o capitalismo imperial como um todo. Workers Voice luta para construir tal organização, sem a qual será impossível construir um governo dos trabalhadores. Tal governo seria um governo onde imigrantes e minorias raciais estariam representados de forma esmagadora, dada a atual composição da classe trabalhadora neste país.

Só um governo de e para a classe operária poderá colocar em pé de igualdade os trabalhadores de todas as nacionalidades, parceiros na construção de uma sociedade organizada para o bem de muitos e não para o lucro de poucos.