PSTU Paraíba

Recente matéria publicada no portal G1 Paríba, por conta de um estudo feito pelo Observatório das Metrópoles, em parceria com a PUC/RS e Observatório da Dívida Social (RedODSAL), revelou o tamanho da desigualdade social existente em nosso país e em nosso Estado, em plena pandemia do coronavírus.

O Boletim Desigualdade nas Metrópoles, elaborado pelas entidades acima citadas no 1º trimestre deste ano, traz elementos bastante interessantes e reveladores sobre a realidade que nos cerca, no Brasil e na Paraíba. Ele também mostra João Pessoa como uma das cidades mais desiguais, social e economicamente do país.

Segundo o Boletim, alguns pontos nacionais devem ser observados, antes de nos atermos à cidade de João Pessoa, como:

  • No 1º trimestre de 2020, o percentual de pessoas vivendo em domicílios com renda per capita menor que ¼ de salário mínimo era de 24,5% (na época, isso significava viver com R$ 261,25); no mesmo período em 2021, esse índice passou para 29,4% (a quantia correspondente a ¼ de SM passou a ser R$ 275);
  • No 1º trimestre de 2020, os 10% da distribuição de renda ganhavam, em média, 29,6 vezes mais do que os 40% da base da distribuição de renda. No 1º trimestre de 2021, os 10% da distribuição de renda passaram, a ganhar em média, 42,3 vezes mais do que os 40% da base da distribuição de renda. Em um ano de pandemia do coronavírus, nota-se o aumento na concentração de renda;
  • Em 2021, entre os 40% mais pobres, a média de anos de estudos completos era de 10,6 anos; nos 50% do estrato intermediário, era de 13 anos de estudos completos; para os 10% mais ricos, era de 15,4 anos de estudos completos. Observa-se, neste aspecto, o aumento da exclusão social;
  • João Pessoa foi, neste aspecto da escolaridade, a 2ª Região Metropolitana (RM) com o menor aproveitamento, com 11,3 anos de estudos completos. João Pessoa também foi a RM com a maior desigualdade entre a média de estudos dos estratos superiores e inferiores, com os mais ricos tendo em média 1,6 vezes mais anos de estudos.

Não custa relembrar que o estudo foi feito no 1º trimestre de 2021 e começou sua série histórica em 2012, mas boa parte dos dados elencados são do período da pandemia do coronavírus, o que serve para ilustrar o grau de concentração de renda que vivemos em João Pessoa, no Brasil e no mundo, graças à exploração capitalista sobre as trabalhadoras e trabalhadores, e a juventude.

Segundo o estudo, João Pessoa está entre as cinco Regiões Metropolitanas com as maiores razões de rendimento, ou seja, que apresentou maior crescimento no país. Pela ordem decrescente, estão João Pessoa, Rio de Janeiro, Recife, Salvador e Aracaju. Nesta perspectiva, João Pessoa alcançou quase 100% (99,8%).

Noutro ponto do estudo, entre o 1º trimestre de 2020 e o mesmo período de 2021 (durante a pandemia do coronavírus), João Pessoa também está entre as cinco RMs que teve maior crescimento da razão de rendimentos entre mais ricos e mais pobres (leia-se diferença entre ricos e pobres no Brasil ou concentração de renda). Pela ordem, estão Rio de Janeiro, João Pessoa, Aracaju, Florianópolis e Recife. Neste aspecto, João Pessoa teve 96,6%, segundo o estudo.

Ainda segundo o Boletim Desigualdade nas Metrópoles, João Pessoa é a segunda RM com o maior número percentual de pessoas vivendo em domicílios com renda per capita de até ¼ de salário mínimo, cerca de 43,2%. Isso significa que, na capital paraibana, existem algo em torno de 353.165 pessoas que vivem com R$ 275/mês. Uma situação lamentável para nosso povo.

Esta é a situação por que passa o povo pobre e trabalhador de João Pessoa, em pleno século XXI e durante a pandemia do coronavírus, em um cenário de mais de 530 mil mortes no país e de cerca de 9 mil mortes na Paraíba e pouco mais de 2.500 mortos em João Pessoa. Além disso, o desemprego campeia, espalhando desalento em nossa classe, sem falar na legião de trabalhadores/as informais que, mais do que nunca, se espalham pelas ruas de nossas cidades, junto com as placas de “aluga-se” ou “vende-se”.

A alternativa que o PSTU apresenta para os trabalhadores/as, juventude  e demais explorados de João Pessoa, da Paraíba, do Brasil e do mundo é se organizar no seu sindicato, na sua rua, no seu local de trabalho, na sua moradia e, através disso, enfrentar o capital e toda sorte de exploração e opressão imposta a nós todos os dias para. Somente desta forma, vamos destruir esta “máquina de moer” corações e mentes e construir um mundo novo, livre de exploração, opressão e dirigido por aqueles/as que constroem cotidianamente as riquezas de nosso mundo: os trabalhadores e as trabalhadoras. Precisamos construir uma alternativa operária e socialista para que possamos, definitivamente, sair dessa situação lastimável que o capitalismo impõe à classe trabalhadora de João Pessoa e da Paraíba.