Foto Guilherme Gandolfi / @guifrodu

Uma semana após as manifestações contra o governo realizadas por setores de torcidas organizadas em São Paulo e no Rio de Janeiro, os protestos se espalharam pelo país neste domingo, 7, impulsionados pela onda de manifestações contra o racismo nos EUA, desatadas após o brutal assassinato de George Floyd.

Manifestações contra o governo Bolsonaro e a sua política genocida e pró-ditadura, e em defesa das vidas negras, ocorreram em pelo menos 20 capitais, além de várias cidades do interior. Reuniram, além de torcidas, partidos de esquerda, movimentos sindicais, sociais, populares e do movimento negro, e ativistas e grupos de periferias.

A violenta repressão da Polícia Militar no ato em São Paulo da semana anterior foi amplamente repudiada e só serviu para aumentar ainda mais os protestos. As tradicionais manifestações bolsonaristas e pró-ditadura, por outro lado, foram reduzidas a um ínfimo punhado de pessoas em algumas capitais.

Apesar da pandemia, os protestos foram a expressão de indignação e revolta de um setor cada vez mais amplo da população, dos trabalhadores, da juventude e dos setores mais pauperizados, que não aguentam mais essa política genocida do governo Bolsonaro, que empilha a cada dia mais mortos, sabota as insuficientes medidas de quarentena nos estados, e agora ainda tenta impor a censura sobre os números de óbitos e infectados. Foi ainda um grito de revolta contra o genocídio da população negra.

As manifestações ocorreram à revelia dos partidos da esquerda parlamentar. Partidos como o PSB, PDT e a Rede se posicionaram explicitamente contra os protestos. O PCdoB não chamou a sua militância, enquanto o PSOL, embora correntes e militantes de base tenham participado, não esteve presente nos atos enquanto partido. O PT também não foi como partido e, mais que isso, figuras como o senador Jaques Wagner desautorizaram o protesto.

O governador do Ceará chegou a usar sua Polícia Militar contra o protesto, prendendo de forma arbitrária manifestantes sob o argumento hipócrita de estarem fazendo aglomeração. Isso num momento em que ele determina a abertura do comércio num dos estados mais afetados pela pandemia no país. Postura idêntica teve o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), cuja polícia deteve 60 manifestantes.

O PSTU participou das manifestações, reafirmando as medidas de proteção contra o coronavírus e defendendo o Fora Bolsonaro e Mourão, além de uma quarentena de verdade para salvar vidas, com garantia de emprego, salário, renda, apoio ao pequeno negócio, e contra o genocídio negro e em defesa das liberdades democráticas.

Veja um pouco como foi este dia nos estados

São Paulo

Foto Luciano Lasp

Na capital paulista, o Tribunal de Justiça proibiu, na noite de sexta-feira, a realização de protestos na Avenida Paulista no dia 7, como estava convocado. Apesar disso, e da mudança de última hora para o Largo do Batata, de mais difícil acesso, algo como 4 mil manifestantes compareceram. Com máscaras e álcool em gel, pediram “Fora Bolsonaro” e o fim do genocídio da juventude negra. Marielle Franco, o menino João Pedro assassinado pela polícia no Rio, e o garoto Miguel morto pela omissão criminosa da patroa de sua mãe no Recife, foram lembrados.

Rio de Janeiro

Manifestantes do movimento negro protestaram contra o racismo no monumento de Zumbi, e depois houve uma passeata até a Candelária.

Em São Gonçalo (RJ), manifestantes protestam contra violência policial e por justiça para João Pedro

Belo Horizonte

Porto Alegre

Bahia

Distrito Federal

Foto Ricardo Stuckert

Pernambuco

Paraná

Santa Catarina

Florianópolis
Florianópolis

Amazonas