Professores no Marrocos se enfrentam com o regime

Protesto de professores em Rabat, capital de Marrocos
Milhares de professores tomaram as ruas de Rabat, capital de Marrocos. O protesto acontece por conta do congelamento dos salários em vigor desde 2016. Hoje, um professor marroquino recebe em média US$454 por mês (o equivalente a aproximadamente R$1.700). Além do congelamento, a categoria não tem direito a plano de saúde nem aposentadoria. A manifestação aconteceu como parte de um chamado de greve geral dos trabalhadores públicos contra a inflação, por reformas democráticas e justiça social.
As palavras de ordem e cartazes exigiam “Não aos contratos de termos fixos” e “Não ao desmonte das escolas públicas”. Também era possível ver cartazes exigindo o fim da ditadura em Marrocos.
A data do protesto também é significativa. 20 de fevereiro marca o aniversário dos protestos em Marrocos durante a Primavera Árabe, que reivindicavam dignidade e mais democracia no país. Ao contrário dos países vizinhos, como Tunísia e Egito, os protestos durante a Primavera Árabe no Marrocos não conseguiram derrubar o então primeiro-ministro Abdelilah Benkirane nem o rei Maomé VI.
Professores marroquinos são reprimidos pela polícia.
O protesto pacífico caminhou para a frente do Palácio Real da cidade, onde a polícia passou a utilizar canhões de água contra os manifestantes alegando que o protesto não tinha autorização do governo. Ambulâncias removeram diversos manifestantes feridos para hospitais.
O movimento é uma expressão tanto dos ataques que o capitalismo faz à educação, quanto da resistência de professoras e professores a esses ataques. A luta internacional pela educação e contra os governos também se expressa aqui no Brasil, como a grande greve de professores municipais de São Paulo, contra o SampaPrev, uma reforma da previdência para a categoria.
Segundo o ministro de direitos humanos de Marrocos, ocorrem em média 48 protestos diários no país.
Marcel Wando, de São Paulo