Mulheres buscam restos de alimentos em caminhão de lixo em Fortaleza. Reprodução

Um vídeo, gravado em setembro e divulgado nas redes sociais na semana passada, mostra um grupo de mulheres vasculhando um caminhão de lixo em busca de sobras de comida no Cocó, um bairro de ricos na cidade de Fortaleza, capital do Ceará.

Impossível não ficar comovido e revoltado com as cenas, que revelam a situação da fome crescente em nosso país. Com o aumento do desemprego e com a carestia dos preços dos alimentos, como resultado da concentração da riqueza nas mãos de um reduzido grupo de super-ricos, cenas como as de Fortaleza se repetem todos os dias, do Norte ao Sul do Brasil.

Homens e mulheres, como Jaqueline, que tem 50 anos, é mãe e avó, moradora de uma favela de Fortaleza, são obrigados a passar por esse tipo de situação: recolher restos de alimentos no lixo. Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, ela disse que o dinheiro não tem dado para comprar comida direito. Ela e outras mulheres procuram alimentos em caminhão de lixo todos os dias.

Enquanto o caminhão tritura o lixo, elas catam o resto de comida. “Às vezes, as coisas vêm no fundo do tambor. Aí joga dentro do carro, aí nós vê as coisas no fundo, que não deu para gente ver em cima e pegar, a gente sobe no carro e pega”, relatou Jaqueline ao Fantástico.

Fila para catar ossos

Em julho, vídeos mostraram dezenas de famílias de Cuiabá, capital do Mato Grosso, formando fila na frente de um açougue do Bairro CPA2, para pegar ossos doados pelo estabelecimento. São famílias que passam por dificuldades financeiras, que não conseguem colocar carne na panela, devido ao aumento dos preços, que tornou a carne um item de luxo.

Entre as pessoas na fila estava Mara Siqueira Castro, mãe de sete filhos. Ela trabalha como autônoma, mas não tem conseguido manter as despesas da família. “Eu recebo só o beneficio do governo e nós estamos vivendo de doações”, disse, em entrevista ao portal G1.

A mesma situação vem ocorrendo na cidade do Rio de Janeiro. Moradores recorrem a restos de ossos e carne rejeitados por supermercados. Todas as terças e quintas-feiras, um caminhão, que recolhe ossos e pelancas de supermercados da cidade, estaciona na Glória, bairro da Zona Sul carioca, onde se forma uma longa fila de pessoas que catam aquilo que os supermercados rejeitaram.

Vale ressaltar que, de acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Brasil tem o maior rebanho bovino do planeta, com cerca de 218 milhões de cabeças de gado. Também é o maior exportador de carne do mundo. Contudo, pessoas pobres formam filas para catar ossos e pelancas em açougues.

A Embrapa também pontua que somos o quarto maior produtor de grãos do planeta, mas a prioridade da produção é para exportação e não para alimentar o nosso povo. O estudo Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, mostra que com a crise econômica agravada pela pandemia, 19,1 milhões de brasileiros disseram passar 24 horas ou mais sem ter o que comer. Em dezembro de 2020, mais da metade (55%) da população sofria de algum tipo de insegurança alimentar, segundo o estudo da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional.

Enfrentar os super-ricos

Desde o início da pandemia, a crise piorou a vida dos mais pobres. De um ano para cá, o número de brasileiros vivendo com R$ 275 por mês saltou de 20 para mais de 24 milhões. Com essa renda, não há garantia de que vão comer no dia seguinte.

Bolsonaro despreza essa situação de penúria do povo. Sua política sanitária genocida levou a mais de 600 mil mortes na pandemia. Além disso, nunca teve qualquer política pública para ajudar os mais pobres. Bolsonaro foi contrário ao auxilio-emergencial de R$600, um valor que já era insuficiente para garantir comida às famílias afetadas pela pandemia. Agora, tenta emplacar o “Auxílio-Brasil”, um programa social para tentar garantir sua reeleição no ano que vem. Não por acaso, o programa tem validade até o final de 2022.

A realidade é que Bolsonaro favorece os empresários, os latifundiários e os banqueiros, que seguiram lucrando à custa da miséria e da fome do povo. Os maiores bancos com ações negociadas na Bolsa de Valores somaram R$ 23,161 bilhões, no segundo trimestre deste ano, valor 90% superior ao do ano passado, quando Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Santander lucraram R$ 12,164 bilhões. Já o agronegócio espera lucrar R$ 1,142 trilhão este ano, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Valor 15,8% maior em relação a 2020.

Enquanto a pobreza foi acentuada, durante a pandemia, 20 brasileiros entraram no ranking de bilionários da Forbes. Um punhado de super-ricos, um grupo de parasitas, concentra em suas mãos as riquezas produzidas no país, enquanto milhões passam fome, estão sem emprego, sem moradia e sem comida. Essa é face cruel do capitalismo, um sistema que joga milhões na miséria, para garantir o luxo e a vida boa a um reduzido grupo de milionários sanguessugas.

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Fome, miséria e carestia são resultado da rapina imperialista e decadência do país