Paulo Guedes chama servidor público de “parasita”

Ministro da Economia, Paulo Guedes

Os verdadeiros parasitas são os banqueiros como o ministro, que sugam grande parte do Orçamento com a falsa dívida pública

O ministro da Economia e “posto Ipiranga” de Bolsonaro, Paulo Guedes, chamou o funcionalismo público de “parasita” durante palestra na Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta sexta-feira, 7, no Rio de Janeiro. No evento, um seminário sobre “Pacto Federativo”, na verdade a reforma administrativa que o governo pretende enviar ao Congresso na próxima semana e que ataca a categoria em diversos pontos, Guedes acusou os servidores de estarem quebrando o Estado.

O governo está quebrado, gasta 90% da receita com salário e é obrigado a dar aumento“, afirmou o ministro-banqueiro ao atacar o reajuste da inflação à categoria. “O hospedeiro está morrendo, o cara virou um parasita“, reafirmou, referindo-se aos servidores. O plano de Guedes e o governopara o funcionalismo é, entre outras coisas, acabar com os reajustes automáticos e a estabilidade.

Diante da má repercussão da fala de Guedes, o Ministério da Economia tentou consertar divulgando uma nota em que afirma que a frase do ministro-banqueiro foi “descontextualizada”, uma resposta padrão para tentar emendar o que não tem emenda. A frase, porém, não poderia estar melhor contextualizada dentro do discurso do governo Bolsonaro de demonização dos servidores públicos e da intenção de aprovar a reforma administrativa.

Ódio aos servidores

Em poucas palavras, de forma direta e, é preciso dizer, bastante sincera, Paulo Guedes expressou o profundo ódio do governo Bolsonaro aos servidores públicos. Guedes já havia dito que o plano do governo era não repor o quadro do funcionalismo com as aposentadorias, “informatizando” toda a área pública. Estamos vendo como isso está se dando no INSS, que tem hoje uma fila de 1 milhão de trabalhadores que não conseguem se aposentar, tirar o seguro-desemprego, BPC e outros direitos básicos do qual dependem, sobretudo, a população mais pobre.

Ao mesmo tempo em que ataca o conjunto dos servidores públicos, trabalhadores que prestam serviços à população e que enfrentam, cada vez mais, condições de trabalho mais degradantes, o governo Bolsonaro beneficia a casta realmente privilegiada, como a alta cúpula das Forças Armadas. Na reforma da Previdência dos militares, por exemplo, enquanto os praças foram rifados, a alta oficialidade foi presenteada com aumentos de pai para filho.

Os verdadeiros parasitas

O discurso do governo Bolsonaro repetido nesta sexta-feira por Paulo Guedes repisa a mentira de que o funcionalismo está “quebrando” o Estado. É a mesma falácia repetida na época da reforma da Previdência, onde o grande problema da economia eram os aposentados. Agora são os servidores. Ou os trabalhadores que teriam “muitos direitos”. A realidade é que Paulo Guedes sabe muito bem quem são os verdadeiros “parasitas” que sugam o Orçamento público.

Os parasitas são os banqueiros como ele que, num quadro de crise econômica, desemprego em massa e precarização crescente do mercado de trabalho e dos serviços públicos, continuam lucrando bilhões. Ou o grande capital privado, as multinacionais, que “parasitam” os recursos naturais e as estatais como a Petrobrás, que o governo segue tentando privatizar.

Quase metade do Orçamento público vai, anualmente, para o pagamento de juros da mal-chamada dívida pública. Concretamente, esse mecanismo serve para continuar enriquecendo meia dúzia de grandes banqueiros e megainvestidores internacionais. E para manter esse mecanismo funcionando é que o governo faz a reforma da Previdência, corta verbas num draconiano ajuste fiscal, e agora ataca os servidores públicos. É bom lembrar ainda que Paulo Guedes é investigado por fraudes em fundo de pensão de estatais como a Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobrás) e Postalis (Correios), em aplicações que totalizam R$ 1 bilhão.

O principal “parasita” hoje, na realidade, é o próprio governo Bolsonaro, que suga os recursos públicos, os trabalhadores e o conjunto da população para manter seus privilégios e os lucros dos banqueiros e multinacionais. Ou acabamos com essa infecção ou quem vai morrer somos nós.